Blog do Léo Coutinho - Lula e Temer juntos em 2018?
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Lula e Temer juntos em 2018?

Custou caro

Huguinho, Zezinho e Luizinho naturalmente se imaginam herdeiros do Tio Patinhas. Ocorre que o velho é sovina mas não é bobo (sim, eu acho a avareza uma bobagem). Ele pode até ter pagado para os sobrinhos passarem de ano. Mas presente de Papai Noel não vai mandar.

No contexto brasileiro o trio se chama Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco. E Tio Patinhas é o que chamamos de “o mercado”.

Pelo que aprontou durante a vida toda o trio deveria ter sido expulso do colégio. Nos Estados Unidos provavelmente estariam numa colônia de reabilitação. Mas Tio Patinhas, receoso de que o colégio acabasse incendiado e desclassificado internacionalmente, fez o que pôde para o trio ficar com o grêmio e passar de ano.

Não saiu barato. TCU, primeira e segunda denúncia na PGR, popularidade dentro da margem de erro (3% pode ser igual a zero). Fora a agenda política que retroagiu trinta anos para atender a bancada BBB, e o caixa da própria escola, raspado e comprometido para o próximo ano. Alguém poderá dizer que o mercado está se lixando para isso. Receio que não. Não num mundo globalizado, onde o ambiente de negócios cada vez mais exige boa disciplina (compliance) e boas notas (classificação de risco).

Tudo isso para receber o que em troca? Muito pouco. Como estou dizendo desde o começo do ano, o molho sairia mais caro do que o frango. Agora está confirmado.

A voz do mercado

O mercado não é louco e não fala sozinho. Quando um representante decide dar uma entrevista nunca é algo casual, como se, passando pelo salão, do alto do terceiro uísque, fosse abordado pelo Amaury Júnior. Qualquer mensagem do mercado é exaustivamente debatida e combinada por quem decide, incluindo o veículo e a figura do porta-voz. Porque uma vez publicada, o telefone de todos recebe chamadas do governo, e ninguém gosta de ser pego pelo governo de surpresa. As broncas e pedidos devem estar nas pontas das línguas.

Foi o que aconteceu ontem no Estadão. Durante a semana o governo jogou a reforma da Previdência para fevereiro. No domingo o presidente da Suzano Papel e Celulose falou em nome do Tio patinhas. Huguinho, Zezinho e Luizinho, que se jactavam preferidos do velho e faziam planos para ficar no grêmio a partir de 2019, registraram o pito.

Para ficar em três pontos, veja o que disse o Tio Patinhas:

1)   Reformas: “Eu pergunto qual é a reforma que fizemos até agora. Falamos muito sobre reformas, colocamos o teto de gastos, que foi muito positivo, mas não poderá ser implementado caso o déficit da Previdência continue a comer tanto da receita do Estado. Sem o déficit atual, a saúde e a educação correm o risco de entrar em colapso. Fizemos uma reforma trabalhista, que é questionada pelo presidente da associação dos magistrados do trabalho. Dizem que não vão cumprir a reforma que foi colocada. Eu ainda não consegui ver as reformas estruturantes no Brasil.

2)   Investimento: “As empresas estão voltando a ocupar parte da capacidade que estava ociosa, mas eu não tenho dúvida alguma de que grandes investimentos dependem do que vai acontecer no processo eleitoral.”

3)   Corrupção (pode ser tolerada em troca das reformas?): “Não. Algumas questões são inegociáveis, e uma delas é a ética. Esse tem de ser o pilar fundamental.

A alternativa

A esperança do trio recai sobre o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, cada vez mais candidato. O governo precisa desesperadamente de alguém viável nas eleições de 2018, capaz de vencer ou pelo menos permitir composição razoável que garanta foro privilegiado. Temer, Padilha e Moreira Franco só pensam nisso. Kassab, dono do PSD onde está filiado o Meirelles, idem. Sinal de desespero? Óbvio. Mas imagine quão duro é encontrar alguém disposto a abraça-los e, em caso de vitória, começar o mandato com essa fatura a pagar.

Suponhamos que o Meirelles tope e que se torne viável, na cabeça de chapa ou na vice. Primeiro senão: como ele faria para lidar com o Congresso sem esse trio? Segundo senão: o inimigo número um do governo, tratado como bandido e falastrão, é Joesley Batista, patrão do Meirelles por quatro anos, no Banco Original e, antes, na presidência do conselho da J&F. Pode alguém dizer que ele não sabia de nada? Até pode. Mas a carapuça serviria para absolver Dilma na Petrobrás.

Sabem o que é o mais curioso? A única pré-candidatura viável capaz de assumir publicamente um acordo para ajudar a estancar a sangria, em troca do uso da máquina para se eleger, é a de Luiz Inácio Lula da Silva. Aposto um dedo que de parte a parte há disposição para tanto. Notem que Temer não ataca Lula e este já fala em perdão.

Pois é. Senta e chora, brasileiro. Tua sina é ser Pato Donald.

 
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