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Obviedades

2017 começou com presídios em ebulição. Gente estripada ao vivo na televisão, no Whatsapp. Chamaram de crise do sistema carcerário.

Um ano depois, estamos na mesma. A chefe do poder Judiciário não pôde visitar um presídio porque o Estado não garantiria sua segurança. Até uma granada foi encontrada no endereço.

Daí a turma se pergunta: por que alguém que consegue internar uma granada continua preso? Por que não foge, pega a namorada, vai ao cinema, senta para tomar um chope numa praça gostosa?

A resposta é óbvia: por que alguém tem que trabalhar. Os detentos não estão em férias nos presídios. Estão trabalhando por suas organizações. Para elas, não existe um equipamento melhor do que as nossas penitenciárias. Chega gente todo dia. Batemos seguidos recordes mundiais de população encarcerada. E cada um que entra porque foi preso vendendo quiçá um brisadeiro, nome vulgar do brigadeiro de maconha, passa pagar uma taxa de proteção. Não o brigadeirista, mas sua família, que do lado de fora vende o que tiver para não atrasar a mensalidade.

Supondo que o traficante de brigadeiro tenha recursos para pagar advogado, ele pode ser solto. Mas só poderá se desfiliar dos partidos se tiver ainda mais recursos e se mudar para algum lugar estrangeiro. Caso contrário, continuará sob ameaça e comando do crime organizado.

Outra coisa óbvia é que o crime não fatura sozinho. O vendedor de merenda também tem interesse em manter esta situação. Assim como o fornecedor de equipamentos para as polícias. Ou as empresas de segurança privada, blindagens e que tais. A cadeia de negócios das cadeias é redondinha: mais armas, mais prisões, mais bandidos, mais violência, mais medo, mais vendas, mais bancada da bala para manter ou ampliar a indústria do horror.

Simultânea à nossas obviedades, a República Oriental do Uruguai celebra a diminuição da violência a partir da descriminalização da maconha – e só da maconha.

 
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