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Intervenção militar no Rio

Haverá intervenção militar no Rio de Janeiro. Temer decretou, com aval do governador Pezão e efeito imediato, que o Exército assuma a segurança pública no estado, que significa comando sobre as polícias, incluindo os bombeiros e a área de inteligência. O interventor será o general Walter Braga Neto.

O Congresso tem dez dias para aprovar ou não o decreto. Deve passar, ainda que sob muita gritaria das oposições. Um dos efeitos da intervenção é que, enquanto durar, nenhuma alteração pode ser feita na Constituição. Dentro da agenda atual do Planalto esta se chama reforma da Previdência. A ideia do governo, segundo a repórter Andreza Matais da Coluna do Estadão, é deixar rolar e, quando chegar a hora de votar, suspender o decreto por um dia.

Na reunião que acabou há pouco, depois da meia-noite, a situação no Rio teria sido tratada como guerra-civil. E é aí que mora o maior problema do governo: quem ganha as guerras não são as armas, mas a propaganda – e definitivamente o calcanhar de Aquiles de Temer é sua imagem.

A situação do Rio já não era boa: ex-governadores e parlamentares presos por corrupção, caixa falido, funcionários com salários atrasados, serviços abaixo da precariedade e violência altíssima.

Pois some-se ao cenário fatos novos: as escolas de samba campeãs do carnaval criticaram abertamente o status-quo, com ataques pessoais ao Presidento e ao prefeito Crivela – que escolheu a Alemanha para passar o feriado. Tempestade incomum castigou a cidade, especialmente a Zona Norte. Pane nas tubulações de água e gás afeta toda Copacabana. E até a violência, que costumava arrefecer durante o ano-bom ou o carnaval, dividiu o noticiário com a festa. Tudo em menos de sete dias.

+ Beija-Flor e Tuiuti

Quem não enxergar nesses ingredientes a composição de uma receita para convulsão social está cego. Não à toa, há quem aposte que por trás da decisão do governo há informações da inteligência que alimentam a hipótese.

Obviamente alguma coisa precisava ser feita. E não devem ser poucos os cariocas contentes com a notícia. Ainda assim, o convencimento será o grande obstáculo da intervenção.

Supondo que absolutamente toda a parte operacional funcione, mesmo com as resistências à mudança de comando naturais de toda novidade, com um comandante acostumado a mandar em soldados obedientes tendo que lidar com policiais malandros e malvistos, e sem tropa própria preparada para policiamento…

… como serão recebidos no asfalto os soldados enviados por um presidente que até hoje não conseguiu explicar o que fazia um assessor seu correndo com meio milhão de reais na calçada de uma pizzaria, soldados enviados com aval de um governador que era o vice e homem de confiança daquele que está preso, soldados enviados principalmente para uma cidade onde o prefeito não está, soldados que marcharão dividindo as ruas com os foliões dos últimos cordões e sob o espírito da vitória das escolas que esculhambaram seu comandante supremo?

E como será a recepção nos morros e favelas? Por mais improvável que seja uma resistência com enfrentamento, até pela desproporcionalidade civil-militar, o cenário atual é bem diferente daquele da invasão do Complexo do Alemão. Ninguém mais acredita em UPP e as facções estão espalhadas pelo Brasil e alhures, com poder de aterrorizar cidades e escancarar presídios.

A chance de dar merda é enorme.

 
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