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Com o lobby e avante

Depois de mais de um mês sem ministro, o Ministério do Trabalho incluiu o lobby no cadastro oficial de ocupações do Brasil. Batizada de relações institucionais e governamentais, a função passa a valer enquanto aguarda regulamentação no Congresso, onde é debatida há quase trinta anos.

Na prática já existe. Entidades de classe, ongs, bancos e grandes empresas mantém verdadeiras embaixadas em Brasília – e na maioria das capitais do mundo. A lógica é simples: as instituições têm seus interesses e não esperam que os congressistas saibam de tudo. Logo, mantém profissionais com habilidades para dialogar com os poderes Legislativo e Executivo. Mais ou menos como os advogados ante o Judiciário.

É claro que, clandestina, funciona do mesmo jeito. Ou antes: agora pode funcionar melhor, com clareza e transparência. Tome-se o exemplo do lobby das armas nos Estados Unidos. Luta gigantesca, dificílima. Guerra. Mas que seria muito mais difícil se os soldados não pudessem ser identificados, como numa guerra cvil.

Por outra: imagine uma partida de futebol onde todos, inclusive a arbitragem, vestem o mesmo uniforme. Se tem goleiro vendido, juiz ladrão, bandeirinha torcedor, como saber? A rigor, nem gol-contra se registra.

A proposta que está na Câmara é razoável e traz avanços. Curiosamente, o texto alternativo, que retira a exigência de quarentena para que servidores ou parlamentares que tenham integrado determinado órgão público possam começar a fazer lobby na mesma instituição, é da lavra da não-ministra do Trabalho Cristiane Brasil, aquela do vídeo na popa com tripulação descamisada. Típico bode embarcado para logo mais desfilar na prancha.

Avante, senhoras e senhores parlamentares. Vamos votar.

 
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