Blog do Léo Coutinho - A fogueira de 2018
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A fogueira de 2018

Eu podia jurar que a maior fogueira do Brasil era a de Caruaru, montada na festa de São Pedro. Mas numa googada rápida descobri que estaria enganado. O recorde é paranaense, da cidade de São João, onde a madeira empilhada alcança mais de sessenta metros de altura. A maior rival queima no Mato Grosso do Sul, em Jateí, com cinquenta e tantos metros.

O que acendeu minha curiosidade foi o receio do que teremos pela frente neste 2018 eleitoral. O incêndio prometido é de proporções imprevisíveis.

Em outra googada rápida qualquer um pode imaginar o que temos pela frente. Os pré-candidatos anunciados são levados ao fogo numa inquisição de duzentos milhões de bruxas. Sim, pelo tamanho do fogo, vamos acabar todos torrados.

Até o finado Brizola, carbonário histórico que aparece pulando uma fogueira na capa de sua biografia, vem sendo assado quando o assunto é a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Pela ordem dos espetos, Lula já não teme mijar na cama. Deve brincar com fogo até não mais poder, dentro ou fora da cadeia. O plano B do PT fritou em dendê ontem na operação Cartão Vermelho. Morando no apartamento mais cafona que se tem notícia, Jacques Wagner se viu acusado de receber dezenas de milhões de reais no esquema do estádio da Fonte Nova, em Salvador. A piada ficou por conta dos quinze relógios de luxo com ele encontrados, com direito a desculpa de que são réplicas xing-ling e a coincidência com os sobrenomes dos delegados da PF: ela se chama Matutino e ele, Madruga.

O clã Bolsonaro foi pego com imóveis inexplicáveis e, sobre o auxílio-moradia, o capitão da família disse que usava para comer gente. Ser igual aos outros não deve tirar os votos que já conquistou, mas pode impedir o crescimento.

Marina Silva perdeu dois deputados da Rede para o PSB. Com efeito, terá menor tempo de TV e recursos do fundo partidário, além do risco de não ser convidada para debates na televisão. E pensar que em 2014 teve seu melhor desempenho, justamente como vice do socialista depois da tragédia que matou Eduardo Campos. De qualquer maneira, mesmo com estrutura mais robusta do que encontra hoje, não resistiu à pancadaria eleitoral.

O PSB também não se entende. Dependendo do CEP vai de Lula a Alckmin e ainda arranja tempo para cortejar Joaquim Barbosa – que, assim que se posicionar, deve arder igual a todo mundo.

Os tucanos mal conseguem dormir com a possibilidade de delação do Paulo Preto, carvão que virou brasa depois que as autoridades suíças encontraram mais de cem milhões de reais seus num cofre dos alpes.

Candidato mais provável do ninho, Geraldo Alckmin tem pouca relação pessoal ou política com Paulo Preto, mas não escapa do fato de tê-lo nomeado. Caso curioso, denúncias e acusações não são a primeira preocupação do governador paulista. As carapuças não lhe servem – sejam contra ou a favor. Isto é, como já botei aqui, ao mesmo tempo que não absorve defeitos, não capitaliza qualidades. Com efeito, não anima. E ainda dorme e acorda com fofocas de fogo-amigo, sendo a principal um trabalho que FHC faria para substituí-lo na corrida por um outsider. Primeiro por Luciano Huck, agora por Pedro Parente, presidente da Petrobrás. Fora a eterna cobiça do afilhado-Brutus João Doria.

+ Turma de 2018

A melhor chance de comunicação do pré-candidato Alckmin estria em fazer prévias. Não que fosse agradável bater boca com Arthur Virgílio. Mas a experiência paulistana de 2016 ensina que os perdigotos renderiam vasta cobertura jornalística em todo país, aqueceria a militância e ele ainda poderia combinar com alguns candidatos extra, populares regionalmente, para enriquecer o caldo e diluir Arthur Virgílio. Soma um tucano do Centro Oeste, outro do Nordeste, mais um do Sul e em dois meses seriam manchete no Brasil inteiro, fortalecendo inclusive possíveis candidaturas dos “derrotados” a governos estaduais ou ao Senado. Está em tempo.

Voltando ao Luciano Huck, parece que desistiu mesmo. Nem deputado federal quer arriscar, campanha que participaria com tranquilidade e sem sofrer os ataques de uma majoritária. De casca fina, mais acostumado a aplausos do que vaias, Luciano sairia bastante ferido de uma corrida para presidente da República. A delação da Andrade Gutierrez, que envolve Alexandre Acioly, seu sócio numa rede de academias, tem combustível para carbonizar a reputação de qualquer um.

A rede de academias, aliás, seria uma das estrelas da campanha. Tem o banco BTG entre os sócios e também o técnico de vôlei Bernardinho como presidente do comitê técnico, ele que é sempre citado como possível candidato do partido Novo ao governo do Rio.

Ciro Gomes, bom… Este não tem jeito. Diante de um pedaço de pau, se não usar como mais lenha para a fogueira, usará como porrete.

Dos movimentos ditos de renovação legislativa, onde o que mais se destaca é o Renova BR, esperava-se alguma serenidade. Porque se o “tem que manter isso aí” é asqueroso, o “contra tudo que aí está” também é. Ambos chafurdam no mesmo oportunismo.

E ontem, com os desdobramentos da briga interna na BRF, vimos o que os patrocinadores principais do Renova BR, Abílio Diniz e Tarpon, cujo um dos sócios é o Eduardo Mufarej, entregaram em termos de governança: quase 1,5 bilhão de reais de prejuízo em dois anos e desvalorização em Bolsa só comparável ao que a Dilma conseguiu para a Petrobrás.

No Planalto, o Presidento e seus amigos Moreira Franco e Eliseu Padrilha só pensam em uma coisa: manter o foro privilegiado em 2019 para escapar da turma de Curitiba. Vale tudo: sonhar com embaixada, ministério, acreditar que Henrique Meirelles decola ou tentar amizade na caserna.

 
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