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Linha “Jardins” e um ferry-boat para São Paulo

Eu estava no trânsito ouvindo a Fabíola Cridral na CBN e, seduzido pela espontaneidade com que ela apresenta o programa, comprei a provocação de participar como ouvinte. Raramente resisto a um palpite, mas especialmente em casos presenciais. À distância consigo me conter. Hoje foi exceção e, para minha surpresa, meu comentário foi lido. Obrigado, Fabíola.

Eram dois temas da cidade de São Paulo. Saúde e transportes. Quando ela foi de um para outro dizendo que mudaria de assunto, disparei o primeiro e-mail, lembrando que ambos estão diretamente relacionados, posto que é impossível pensar em saúde para uma pessoa que passa quatro, cinco horas por dia dentro do ônibus. Não pode fazer bem ficar tanto tempo parado, espremido, seja de pé ou sentado. Fora que não sobra tempo para qualidade de vida, convivência, lazer, atividade física e intelectual, boas refeições, sono. Podemos botar a gaita que for em hospitais e UBS, a conta nunca vai fechar.

Especialmente sobre transportes e a nova licitação dos ônibus, falei da minha paróquia, o Jardim Paulista. A grafia saiu nas coxas, ou mais exatamente nos cotovelos, porque eu escrevia sacolejando no busão, e lá se foi uma terceira mensagem de agradecimento pela atenção com pedido de desculpas pelos erros.

Mas a ideia chegou bem. Por aqui, na horizontal do bairro temos linhas de ônibus na Paulista e na Alameda Santos. Pra baixo, as primeiras que vamos encontrar estão na Brasil e são raríssimas. A proposta nova melhora o que há na Brasil e inclui alguma coisa na Estados Unidos e Groenlândia. É um avanço. Mas no miolo continua sem opção. Oscar Freire, Lorena, Tietê, Zé Maria Lisboa deveriam oferecer opções. Inclusive de ciclofaixas.

O companheiro de mesa da Fabíola argumentou que na Paulista tem Metrô, coisa de no máximo um quilômetro e meio, e gentilmente pediu mais disposição. Não discordo dele. Subo e desço a pé para a Paulista com frequência. Algumas ruas, como a Augusta, não são tão íngremes. Mas me sinto na obrigação de replicar. Primeiro não faz sentido ir de um ponto ao outro da Lorena pela linha verde do Metrô enfrentando um pique para cima e outro para baixo no meio do trajeto. Depois a ampla maioria das ruas tem degraus e outros obstáculos a cada garagem, intransponíveis para alguém com mobilidade reduzida.

Da Zona Sul falei que era desumano obrigar milhões de pessoas a dar a volta na represa diariamente, e uma linha de ferry-boat deveria ser previsto. Igual a todo mundo que ouve a ideia, Fabíola riu. Todo paulistano ri quando se fala em ferry-boat ou hidrovia no Tietê e no Pinheiros. Mas nunca é riso de chacota, e sim antídoto para não chorar diante da noção de quão distantes ficamos do caminho.

Enfim, vamos em frente. E mais uma vez, Fabíola, agradeço a atenção. Pretendo ser mais frequente. Avante!

 
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