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Vida longa à Cristina da Suécia

Ainda não assisti à fita com a Greta Garbo. Nem a versão com a Liv Ulmann. E mesmo assim já sou fã incondicional da rainha Cristina da Suécia, que conheci no recente The Girl King, com uma atriz chamada Malin Buska no papel principal.

Menina predestinada, nasceu peluda e com um vozeirão rouco, fazendo a corte do rei Gustavo Adolfo II acreditar que chegara o varão. Só que não. Era menina – e já era tarde. O pai, num chiste, celebrou: “Será esperta, já nasceu enganando a todos.”

Obrigada pela mãe abilolada, passou a primeira infância velando o pai, até que a decomposição do corpo impedisse o ritual. Ato continuo, aos seis anos de idade foi entronada como rei, e não rainha.

Era a determinação do seu pai. Antes de partir para lutar na Alemanha a Guerra dos Trinta anos em defesa do Protestantismo, o rei ordenou que, se não voltasse, Cristina assumiria o trono e seria criada como príncipe.

A jovem “rei” tomou gosto pelos livros, pelas armas, pela política, por roupas e calcados masculinos e pela companhia feminina. Isso lá no século 17. Note que hoje há mulheres vivas, no ocidente, que quando nasceram não podiam votar nem guiar, e às vezes sequer estudar, e faça as contas.

Com habilidade incomum, promoveu a paz e as artes, enfrentou a igreja, foi amiga de artistas e intelectuais, notadamente do filósofo Renée Destartes, decidiu não pentear o cabelo nem se casar ou ter filhos.

Quando achou que seu legado político estava de bom tamanho, transmitiu a coroa a um primo querido, fez um acordo que a tornou pessoal e consistentemente rica, e foi viver de mecenato na Itália.

Hoje é uma das poucas mulheres enterradas no Vaticano. Vida longa à Rainha Cristina.

 
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