Blog do Léo Coutinho - O fim do sal a gosto no tratamento da depressão
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O fim do sal a gosto no tratamento da depressão

Jorge Pontual entrou no Globo News Em Pauta contando que tomou o remédio errado para depressão – durante 40 anos. Quarenta.

Quem sofre com a enfermidade, sendo ou convivendo com um depressivo, recorrendo ou não a tratamento médico, pode imaginar como deve ter sido dura a jornada do Pontual. Falo por mim, que tenho as duas coisas, isto é, depressão e precisamente quarenta anos de idade.

Ou, por outra, podemos dizer que ele teve sorte. Tão maldita é essa doença que, além do preconceito que condena a pessoa à uma câmara escura, bloqueando qualquer nesga de luz que permita pedir socorro, alguns que tomam coragem para riscar um fósforo acabam explodindo. Explico: o remédio certo, na dose incerta, soma à tristeza uma coragem que mal administrada pode levar a atos extremos.

A notícia boa é que um psiquiatra brasileiro chamado Guido Boabaid May criou uma startup de medicina personalizada, que através de um exame de DNA consegue prescrever melhor o tipo e a quantidade de tempero para cada sistema nervoso. É o fim do “sal à gosto” no tratamento da depressão.

Por que sim, os efeitos das drogas sobre as pessoas são tão plurais e diversos quanto as próprias pessoas. Tome-se pelas que são consumidas em turma: há quem beba e não fique bêbado, quem coma açúcar e não engorde nem acabe diabético, quem fume maconha e não assalte a geladeira e até nego que cheira e não brocha.

+ Melhor prevenir do que remediar

Aos números: até 50% das pessoas que procuram ajuda profissional para combater a depressão conseguem bons resultados no começo. Só 30% conseguem concluir o tratamento alcançando remissão completa. O que a GN Tech do doutor May oferece é o cruzamento de 79 medicamentos com 500 variantes de 25 genes para acertar a receita.

Resultados: entre os americanos que se submeteram à medicina personalizada e seus testes fármaco-guiados, 75% faltaram menos ao trabalho, 60% diminuíram despesas com saúde e 65% demandaram menos dos planos de saúde.

Problema: anda é caro. Parece que aqui no Brasil custa por volta de quatro mil reais. Porém, considerando a economia que pode entregar ao sistema de saúde público e aos planos de saúde, creio que convém a todos nós considerar o custo-benefício. O que eu já vi de hipocondríaco entornando o caldo em pronto-socorro… imagino o ágape que teríamos com cada um deles temperado.

Os vídeos com o bravo depoimento do Jorge Pontual e a entrevista do doutor May no Manhattan Connection estão aqui e aqui. Por gentileza, compartilhem.

 
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