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A Casa de Chá da Praça dos Três Poderes

Noite de sábado e o telefone toca. Coisa rara hoje em dia, mesmo durante a semana. Se toca depois do almoço, sinto um calafrio.

Mas era o Helito Bastos, a fim de bater papo e lamentar o esquecimento de uma jóia brasiliense: a Casa de Chá da Praça dos Três Poderes.

Crítico feroz do Oscar Niemeyer e do Lúcio Costa, não poupou elogios à concepção do que considera uma das melhores ideias urbanísticas, arquitetônicas e sobretudo política do Distrito Federal.

“Fui assíduo entre o final dos anos setenta e começo dos oitenta. A gente ficava até o dia amanhecer. Turno de doze horas, desde o fim da tarde anterior, quando representantes dos três poderes se encontravam para tomar chá e debater os temas nacionais, com urbanidade, em publico e em território neutro. Veja a falta que faz, com todos conflagrados.

Eu dirigia o Brasília Palace Hotel, e o concessionário, Adalberto Ferreira do Vale, vulgo Pororoca, me contava que o Lúcio Costa voltou da China com esse conceito. Num cantão ou província ele conheceu a ideia e importou. Na praça central havia a casa de chá e os mandarins se reuniam para ajustar a sintonia no final do dia.

Não sei exatamente como está hoje, mas a última notícia que tive é que estava fechada, pichada. Pelo clima que se vê entre os Poderes, parece que a situação institucional acompanha o estado físico da Casa de Chá. Lamentável.”

 
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