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Se queres conhecer Inácio… E se queres conhecer Luiz

Cravou o Barão de Itararé: “Se queres conhecer Inácio, coloca-o num palácio”.

Na iminência de ser presidente, Luiz Inácio Lula da Silva preferiu ser o Lulinha Paz e Amor, querido de todos, quase unanimidade. Era adorado principalmente pelos que hoje mais o atacam. Previsível. É da vida esse pêndulo entre amor e ódio, diferente das opiniões moderadas, que tendem a permanecer.

Nos bastidores, porém, se contrariado, Lula esbravejava. Me lembro tão bem de quando o Larry Rother, correspondente do New York Times no Rio, anotou que ele era dado ao etilismo. Eu, que sempre considerei esse traço algo marginal em Lula – e no Churchill, no Ulysses, no general Grant –, não dei bola. Mas Lula deu.

Ordenou que expulsassem o jornalista do Brasil. Alguém objetou: “Mas presidente, e a democracia?” Resposta: “Foda-se a democracia!”

Contra a caravana de Lula pelo sul do país uma turma de aloprados optou pelo justiçamento. Fecharam vias públicas, chicotearam manifestantes, atiram ovos em quem discursa. Abusos gravíssimos, inadmissíveis. Mas aparentemente o Estado não tem meios para impedir. É a barbárie. E tende a piorar.

Há quem diga que foi um erro estratégico. Que Lula deveria ter insistido nas regiões onde tem mais popularidade. Ledo engano. O que ele precisa e busca é o enfrentamento. E está conseguindo, gloriosamente. As ondas crescem quando encontram barreiras. O Sul do Brasil serve a Lula como uma barreira de corais havaianos. E ele sabe surfar.

Em se tratando de estratégia a turma lulista é craque. Nada me tira da cabeça que a péssima defesa no caso do tríplex foi calculada. Como seria muito difícil escapar do caso do sítio, o que mais poderia ajudar a narrativa da perseguição política era uma decisão anterior e frágil. Conseguiram.

Porém, como perfeição não existe, no calor dos acontecimentos Lula deixa transparecer o tirano que o habita. Um capanga de sua trupe agrediu com um murro um repórter d’O Globo. É grave. Muito.

Mas pior ainda é ouvir um ex-presidente da República, do alto de um palanque, propondo que “a PM tenha a responsabilidade de invadir uma casa e passar um corretivo em quem lhe atirava ovos”. Isso em meio a uma intervenção federal na cidade mais emblemática do Brasil onde os mandados de busca coletivos foram impedidos a muito custo.

Lula é um irresponsável. Parafraseando o Barão de Itararé, “se queres conhecer Luiz, coloca-o diante de um juiz.”

 
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