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Teremos que escolher entre a Renda Básica e a guerra

Empresas multinacionais, conforme o termo antecipa, têm diversas nacionalidades. Circulam livremente pelas fronteiras. Geram empregos, pagam impostos, criam desenvolvimento enfim. E mais importante: proporcionam um intercâmbio cultural fantástico que, mais distante, é a base da civilização.

Muitas das vezes as empresas têm facilidades para se internacionalizar. Portugal, por exemplo, cuja única opção era navegar, hoje abre seus portos para receber quem quiser investir por lá. Os incentivos e facilidades são tão bons que chegam a ser inacreditáveis para nós brasileiros. Numa manhã você fala com um prefeito sem marcar audiência, abre a empresa e escolhe um terreno repleto de infraestrutura para montar uma indústria com direito a 25 anos de comodato. Parece esmola demais e naturalmente o santo desconfia. Mas você pode acreditar, freguesa, e se quiser saber mais sobre o programa Portugal 2020, clique aqui.

Vistos de permanência também são mais fáceis para quem viaja a trabalho do que a lazer. Não soa estranho? As nações abrem as portas para quem vai trabalhar, isto é, quem busca algum interesse material, mas dificultam a entrada de quem vai de propósito, por curiosidade, carinho, interesse pela cultura estrangeira.

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A questão dos lucros dá um pouco de enrosco. Principalmente as gigantes da internet Amazon, Google, Facebook etc vêm sendo questionadas sobre como distribuir melhor a riqueza criada. Este é um assunto sobre o qual a humanidade terá que se conciliar. No plano local, posso falar do Facebook. Visitei a sede em São Paulo e fiquei admirado em saber que eles fazem questão de pagar o ISS na cidade onde estão. Admirado principalmente porque sabemos de todas as macaquices fiscais que nossas pessoas jurídicas conterrâneas fazem para pagar um pouco menos (ou nada).

Misturando tudo isso, riqueza, desigualdade, povos e fronteiras, volto a insistir no tema da Renda Básica Universal. Acredito que num futuro próximo teremos que escolher entre a Renda Básica e a guerra. Sem distribuir a riqueza não será possível harmonizar imigrações sem violência. A escolha será botar dinheiro em armamento ou distribuí-lo diretamente.

Casas e carros já são montados por impressoras 3D. Nossa comida depende cada vez menos da interferência humana. Drones responsáveis pelo dia-a-dia e tratores ou colhedeiras sem cabine já são uma realidade no campo. Até em São Paulo, onde ainda há ascensoristas nos elevadores da prefeitura e cobradores nos ônibus, se encontra um supermercado onde há caixas de pagamento que dispensam a figura do caixa.

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Está claro: a função utilitária do homem será substituída pela internet das coisas, robôs e inteligência artificial. Nos restará atividades criativas, como estudos, arte, viagens, contemplação. Montanha ao longe, água corrente, fogo crepitante. O problema é que essas atividades, com raras exceções, só foram minimamente remuneradas na posteridade. E então? Vamos investir nas pessoas ou na posteridade delas?

O Fórum Econômico Mundial de Davos, que é o encontro anual dos ricos, passou os últimos anos debatendo a Renda Básica. Parece que todos já concordam, só não sabem como fazer. Tanto que na ediçnao de 2018 a agenda evoluiu. A preocupação da hora é como fazer a transição de uma humanidade utilitária para a criativa. Meu palpite é que este desafio faz a distribuição de renda parecer algo extremamente fácil.

 

 
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