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Doria, Kassab e o legado de Maluf

Há um ano, precisamente no 20 de março de 2017, acontecia a primeira e única reunião do conselho de ex-prefeitos da cidade de São Paulo. Se reuniram com João Doria o deputado federal Paulo Maluf e o ministro Gilberto Kassab.

Acho a ideia boa e lamento que tenha sido abandonada. Creio até que deveria ser obrigatória no plano federal. Todos os ex-presidentes deveriam se reunir amiúde. Sei que as gerais adoram fazer troça com as fotos da turma reunida e entendo perfeitamente. Motivo há. Mas também é verdade que ninguém passa pelo Palácio do Planalto impunemente – no mau e no bom sentido. E, considerando que a ideia de transformar ex-presidentes em senadores vitalícios sofre resistência de parte a parte – nem eles nem a sociedade querem –, que retribuíssem compulsoriamente os direitos que preservam depois de deixar o posto (assessoria, carros, segurança) comparecendo a um chá mensal no Palácio da Alvorada, ao qual o mandatário atual também estaria obrigado a participar.

+ Olhos nos olhos

Voltemos a São Paulo. A ideia por aqui não vingou e foi abandonada. Erundina e Marta estavam viajando. Serra tinha fisioterapia. Haddad estava com Lula e Dilma inaugurando extraoficialmente uma obra inacabada na Paraíba. E ao João restou conversar com Kassab e Maluf.

A pauta divulgada foi o plano de privatização, como a de Interlagos. Na melhor das hipóteses, imagino que Doria e Maluf tenham discutido a velocidade ideal no S do Senna, o modo de não rodar na curva do Sargento, a tangência dos laranjas.

Sobre o que não foi divulgado, e tomando por base o caminho que a gestão atual escolheu, só posso imaginar que Maluf e Kassab tenham insistido que bom mesmo é recapeamento. Imaginem vocês que, de acordo com matéria de hoje na Folha, nos quinze breves meses que Doria governou (incluindo de lambuja os dois meses que passou viajando), R$ 716 milhões que seriam destinados a 30 Km de corredores de ônibus foram retirados do Orçamento, inclusive obras estratégicas como a da Radial Leste seguem emperradas. No total, nem um quarto das obras previstas começaram a sair do papel. Em compensação, há o Asfalto Novo, que coincidentemente inclui toda a extensão da rua que vai do LIDE, para onde João voltará dentro de dez dias, até a rua da chácara onde Doria vive no Jardim Europa.

Essa turma… Me lembro de há seis anos ter metido um comentário no Estadão: “Dinheiro suficiente para construir 2 km de metrô, Kassab preferiu enterrar R$ 2,4 bilhões num túnel de 400 metros para carros. É ou não é o filho que Maluf sonhou?”

Definitivamente, doutor Paulo deixou seu legado.

 
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