Blog do Léo Coutinho - Tucanos não aprendem
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Tucanos não aprendem

Sobre a dificuldade PSDB em aprender com os próprios erros não faltam exemplos. O abandono do programa original talvez seja o mais profundo. Recentemente FHC admitiu que se pudesse voltar no tempo teria insistido em uma aliança com demais partidos do campo progressista, PT incluído. E no final do ano passado Tasso Jereissati foi abatido em voo pelos próprios correligionários quando deflagrou a autocrítica tucana.

A favor do PSDB alguém pode notar que isso de abandonar programa original é comum de todos, bem como a ausência de qualquer autocrítica, e que de dentro do PT só o Fernando Haddad retribuiu o aceno do xará Cardoso, ainda assim relativizando a imaturidade da “oposição” petista dizendo que só quem já foi governo aprende maneirar.

Mas o que mais me impressiona é o erro estratégico de Geraldo Alckmin na corrida eleitoral deste ano. A eleição é em outubro, ele continua estagnado com um escasso dígito em intenção de voto, os líderes das pesquisas radicalizam cada vez mais o discurso e o espaço que sobra a cada dia fica mais tumultuado, com a profusão de candidaturas chamadas “de centro”. Não fosse governador de SP e presidente do PSDB, muito provavelmente já estaria se contentando com notas de rodapé. Proporções guardadas, para alguém que pretende disputar e vencer a eleição para presidente da República, esse papel coadjuvante pode ser chamado de ostracismo.

Apatia preocupa – e a Eurasia concorda

Mas qual seria o antidoto? Onde estaria a lição a ser aprendida? Vos digo: em casa.

Em 2016 o PSDB monopolizou a imprensa e o debate pré-eleitoral. Mesmo sendo uma disputa municipal, o partido chegava a ser notícia até em jornais nacionais e em periódicos de outras cidade e capitais. Haddad, que governava São Paulo, penava para aparecer. Mágica? Não. Prévia.

Alguém poderia dizer que o processo de prévia machuca. Lembrar que teve até nego de cueca na sarjeta. Tudo verdade. Mas também é verdade que a cueca suja lavada em público de quebra serviu para que os pré-candidatos do PSDB fossem apresentados meses antes dos adversários, e que nessa data os cabos eleitorais tucanos já estavam aquecidos, animados e com discurso na ponta da língua. Quer dizer, a prévia machuca o partido tanto quando a pedra de amolar machuca a lâmina.

+ Turma de 2018

Fazer uma prévia fajuta como que escolheu o candidato ao governo do estado de São Paulo de fato não serve para nada. Sem processo eleitoral e debate , fica-se só com o ônus das desavenças. É como bater com a lâmina na pedra.

Mas um meio-termo, onde Alckmin, combinado com outros correligionários populares em suas regiões, rodasse o país promovendo debates com temas nacionais e locais, faria um jogo de ganha-ganha-ganha que o ajudaria a crescer nas pesquisas, fortaleceria os “adversários” internos em suas corridas a governo estadual ou Senado, e mostraria aos demais partidos que há um ou mais vices para chapa-pura, de modo que quem quisesse conversar deveria pedir logo.

 
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