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Picasso em SP já foi mais fácil

Raul Juste Lores nos conta o caso. Ciccillo Matarazzo queria uma cereja para o bolo que encomendara para os 400 anos da cidade de São Paulo. E encanou de trazer o Guernica para a inauguração da Bienal.

Telefonou e pediu aos Rockfeller, que guardavam a obra num museu em Nova York. Gentilmente eles responderam que eram no máximo guardiões, e que se alguém podia autorizar o empréstimo, era o Picasso.

Ciccillo então falou com a Yolanda Penteado, que se prontificou em ajudar: “Deixa que eu falo com o Pablo.” E assim saiu a autorização. É claro.

Guernica então tomou um avião e veio dar em Congonhas, ali pegado à Bienal. O problema é que a cidade vertiginosa que se preparava para inaugurar um conjunto cultural raro como o do Ibirapuera ainda carecia de pavimentação na via que levava ao aeroporto. E o caminhão com a obra-prima do Picasso atolou no caminho.

De lá pra cá tivemos avanços e retrocessos. Estão por aí e não convém enumerar. A não ser o de hoje, denunciado pelo Ruy Castro na Folha de São Paulo: Picasso e outros, adieu.

Ocorre que, por mais uma norma frouxa das nossas agências reguladoras, na privatização dos aeroportos de Viracopos, Montoro (GRU) e Tom Jobim (GIG), a cobrança das tarifas de entreposto passarão a ser determinadas não mais pelo peso e tamanho do espaço ocupado, mas pelo valor das obras – algo obviamente incalculável em inúmeros casos.

O efeito dessa imbecilidade é obvio: exposições que rodam o mundo colaborando esparramando beleza, história, conhecimento, e proporcionando integração, reflexão, entendimento, estarão comprometidas pela sanha monetarista de dois ou três concessionários.

Diante de atoleiros mentais como esses, dá saudade da modernidade do tempo das ruas de terra batida.

 
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