Facebook YouTube Contato

Datafolha a seis meses da eleição 2018 ou um terço

Boa análise do Renato Dorgan Filho sobre a última rodada do Datafolha. O eleitorado órfão do Lula repete o logotipo da Mercedes. Um terço escolhe ser filho de Ciro ou Marina. Outro terço escolhe não votar, engrossando o cordão da apatia que previ aqui no final de 2017. E o terceiro terço se espalha pela rapa.

Eis a íntegra do doutor Dorgan: “Sem grandes mudanças, o congestionamento de candidatos nos remete a possibilidades semelhantes a 1989, o centro e a direita possuem uma grande quantidade de candidatos semelhantes e é por isso que o extremo se destaca. A saída de Lula do cenário ainda é uma incógnita no que diz respeito pra onde irão seus votos. Neste momento conforme percebemos na pesquisa e em qualitativas, um terço desses eleitores de Lula vão com Marina (mulheres de baixa renda) enquanto que os mais ideológicos de classe média vão com Ciro, os dois terços restantes do voto de Lula se dividem de um lado – nulos e indecisos – do outro entre todos candidatos. Um alerta que sempre faço: quem não tiver lado e posição clara terá dificuldades de estar no 2o turno, essa eleição deste ano no 1o turno será muito mais de opinião do que de exclusão (pela quantidade de candidatos iguais), tentar ir pro 2o turno como o menos pior é engenharia muito avançada pra realidade posta de diversos candidatos e de uma grande insatisfação popular.”

Mais importante é lembrar o óbvio: em outubro alguém será eleito, seja lá quem for.

A parte que não quer escolher atingiu um número nunca dantes visto a seis meses da eleição (21%). De novo, é a apatia. A parte que quer escolher procura alguém com opiniões claras, algo como 1989. (Convém lembrar quem foi eleito, como estreou e como acabou.)

Daí que o importante seria o eleitor pensar em outubro como partida, não como chegada. Entender que vitória significa governar entre 2019 e 2022. Entender que isso depende mais do Congresso do que da Presidência. Entender que o voto é o começo, não o fim do processo democrático. Entender que o cidadão deve participar do processo político.

Encerro com um salve especial aos amigos do segmento social chamado liberal, que gosta tanto de falar no que entendem ser a “vitimização” de alguns grupos historicamente prejudicados: reclamar os políticos e nunca participar é a verdadeira vitimização. Vamos assumir nossas responsabilidades sobre “tudo o que está aí”.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments