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Foro privilegiado

O Supremo vai e vem com os limites do foro privilegiado. E o que não falta é gente em volta adorando a fogueira da inquisição.

Entendo que o nível de cansaço. Sei que o fogo inebria sobretudo no auge da fadiga. É tão humano. Mas se a gente não quiser piorar tudo, precisamos entender isso como uma prova de prudência.

O foro veio para proteger a atividade política do poder despótico que imperou durante a ditadura militar. Foi criado sem muitos limites por uma turma traumatizada. E o resultado negativo, em quantidade, são 55 mil cargos com privilégio. Em qualidade, a perpetuação do “sabe com quem está falando?” e todos seus achaques. Nossa tarefa é aprender com eles.

Acabar com o foro privilegiado pode criar um monstro. Imagina um vereador de cidade pequena na mão de um juiz ou delegado controlados por um “coronel” local. Ele faz uma denúncia, briga em plenário contra, sei lá, uma indústria que contamina um riacho, e com base no depoimento de uma testemunha, metem uma canetada que manda o político em cana. Convenhamos que este é um horizonte muito provável.

O poder do dinheiro em sociedades frágeis como a brasileira deve sempre ser considerado. Tão nefasto ou ainda pior do que o foro privilegiado que leva processos de autoridades direto para os tribunais, é o foro privilegiado de quem tem dinheiro para bancar recursos a prazo perdido, até a prescrição, enquanto os pretos e pobres lotam as cadeias logo após a primeiríssima instância policial e, não raro, lá permanecem mesmo depois de cumprirem suas penas.

 
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