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O preço de ser candidato a presidente

Candidato a presidente, Tancredo Neves escondeu na nação a infecção que o mataria. Mesmo disputando a eleição no colégio eleitoral, fez questão de rodar o país e comunicar suas propostas. Não se tratou. Foi eleito e não tomou posse.

Hoje é impossível saber como teria sido o nosso destino se ele tivesse se recolhido e se tratado. Seria curado? Seria eleito? Daria Maluf? Baita “nariz de Cleópatra” da nossa história.

Não consta que na corrida para a eleição de outubro tenhamos algum enfermo. Graças! Mas a lógica de esconder ferida persiste. E todos nós sabemos que ferida escondida, tapada, leva a infecção generalizada e, no extremo, a óbito.

Falo no plano jurídico. A notícia de hoje é que Geraldo Alckmin se beneficia de decisões da Justiça – no que discordo. Ou por outra: se ele se beneficia pessoalmente, só o julgamento dirá. Já politicamente falando, afirmar que há benefício é aceitar a lógica da ferida tapada.

A saber: Alckmin foi apontado por delatores da Odebrecht como destinatário de dez milhões de reais em caixa dois. A orientação da PGR é que crimes dessa natureza devem ser processados na justiça eleitoral. E os processos de políticos que perderam o foro privilegiado ao renunciarem a seus cargos para disputar a eleição – caso de Alckmin – desceram para instâncias inferiores. Até aí, tudo bem.

O problema central, a ferida tapada, é o processo correr em sigilo. Não sabemos em que pé está. E não é bom para ninguém, seja candidato ou eleitor, caminhar para a eleição sem saber a quantas anda um processo que envolve um presidenciável.

Ainda que com números muito ruis nas pesquisas, Alckmin é um pré-candidato forte. O ideal seria que a justiça desse conta de dizer antes de outubro se ele tem ou não culpa. Ou minimamente tornar o processo público.

A ferida tapada já começa infeccionar. Na sexta-feira, quando Gilmar Mendes mandou soltar Paulo Preto, ex-diretor da Dersa acusado de ser o principal operador do caixa dois tucano no estado de São Paulo, a percepção da sociedade foi que a decisão, mais uma vez, beneficia Alckmin – muito embora nos bastidores comente-se que os mais ameaçados por uma delação seriam José Serra e Aloysio Nunes Ferreira, e que inclusive adversários políticos reconheçam que Alckmin não se envolve em corrupção.

É o preço de ser candidato a presidente.

 
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