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Fiasco da privatização em Nova York

Conforme previsto, investidor nenhum confia em botar dinheiro nas privatizações propostas na cidade de São Paulo. A razão principal, antecipada aqui através do infalível método que junta lé com cré, é insegurança política e jurídica.

Como mostra a reportagem do Silas Martí para a Folha de São Paulo, a apresentação do plano de privatizações para a plateia do Council of The Americas, um centro de estudos prestigiado em Manhattan, foi um fiasco retumbante.

Talvez orientado pelo ex-prefeito João Doria, presente no evento, e que nos seus, organizados pelo grupo Lide, costuma tanger plateias de executivos com um apito, Bruno Covas atacou de animador de festa infantil e pediu que levantasse a mão quem pretendia arrematar propriedades ou disputar concessões em São Paulo. Ninguém se mexeu.

+ Doria X Doria

A reportagem destaca que o grande temor dos investidores nasce da breve passagem de João Doria pela prefeitura. Imagine a confiança de quem há um ano viu um prefeito novo desfilar ideias pelos salões nova-iorquinos e, pouco tempo depois, reaparecer com outro em seu lugar. No mínimo o sujeito calcula: dentro de três anos deve ser outro.

Pior: a gestão atual afirma, sem pudor, que abandonou o Plano Diretor, firmado depois de longo processo e que deveria durar quatorze anos. Uma cidade onde um prefeito pode fazer algo assim dificilmente vai arranjar alguém interessado se arriscar numa concessão para durar trinta anos.

É o que retrata o comentário de uma mulher presente na plateia, que se afirmava dona de vasta lista de contatos no Oriente Médio, um dos primeiros destinos atacados por Doria: “ninguém confia num país que muda as regras todos os dias.”

+ Desencontro

No museu de Arte Moderna de Nova York um arquiteto brasileiro é celebrado com a exposição de croquis originais de seus projetos e também com um exemplar da cadeira Paulistano. Chama-se Paulo Mendes da Rocha e foi contratado pela gestão Fernando Haddad para o plano de intervenção no Parque do Ibirapuera. Seria o grande encontro dos nossos dois arquitetos mais premiados: Paulo e Oscar Niemeyer, autor do projeto do parque.

A própria gestão Haddad descontinuou o projeto e a atual afirma que não sabe do que se trata – apesar de ter no próprio site o histórico da intenção.

Resumindo, Paulo Mendes da Rocha propôs fazer o que todas as cidades do mundo – Nova York incluída – buscam: estimular o transporte coletivo e ampliar a área dos parques eliminando estacionamentos.

De novo, ligando os infalíveis amigos lé e cré, só posso supor que a concessão do Ibirapuera é, acima de tudo, a concessão de um estacionamento. Acelera à ré.

Não é só Michel Temer que nos faz voltar vinte anos em dois.

 
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