Blog do Léo Coutinho - Pedro Parente da Petrobrás pediu pra sair
Facebook YouTube Contato

Pedro Parente da Petrobrás pediu pra sair

Pedro Parente da Petrobrás pediu pra sair. Pudera. Da minha parte, não ouvia falar tão mal de parente desde o último Natal.

Parente é um técnico de primeira linha. Tem prestígio onde deve ter: no “mercado”. Mas não poderia ser deixado sozinho decidindo políticas tão sensíveis ao cotidiano da população. Para isso existe ministro, presidente. Para isso existem políticos. Que bom seria se eles estivessem ocupando os postos respectivos no lugar do bando de turno.

Bando este que já era governo quando o ex-presidente da Petrobrás (e do BB) Aldemir Bendine financiava Porsche para Val Marchiori, ou Val do Frango, com taxas especiais para… caminhão. Pano rápido: quase cem milhões de frangos morreram por inanição desde o começo da paralisação. E parte dos sobreviventes praticaram canibalismo. A vaca-louca (a doença) começou quando botaram uma proteína errada na ração do gado. Haveria carma envolvido?

Antes que venham defender a regra dura do mercado na política de preços da Petrobrás, lembro que trata-se de uma estatal monopolista. Sou a favor de acabar com este modelo. Fazer um plano de privatização racional, liderado por um governo que efetivamente lidere e não apenas use os palácios como valhacouto, caso desta última chapa, Presidenta/Presidento, eleita num processo fraudulento que deveria ter sido cassada.

++ Química, sociologia e a explosão iminente – ou Parente, ouça o Montoro

Porém, por ora, é o que temos. É absurdo uma empresa concentrar tanto poder? Óbvio que sim. Mas já que ainda é assim, quem a comanda deve elevar seus limites na mesma proporção.

Gente de mercado ganha bem para suportar a pressão das tensões do mercado. Tem estações de trabalho com ergonomia e ar-condicionado para segurar emocionalmente as oscilações do dólar e do petróleo.

Não é o caso de quem está no dia-a-dia da estrada, negociando frete no limite da cesta básica, do aluguel. Daí que não cabe transferir para essas pessoas uma tensão que não é delas.

Governar é encontrar meio-termo. Solução radical nunca funcionou na história.

Por exemplo: ontem foi feriado de Corpus Christi. Quem acha que a data saiu da cartola ou da mitra de alguém, está enganado. Para adaptar a turma ao novo calendário, os católicos adotaram as datas das festas pagãs. Lá se vão mais de dois mil anos. Parece que deu certo.

Por isso volto a lembrar do modelo Montoro: “nem o punho cerrado da luta de classes, nem os braços cruzados da indiferença burguesa, mas os braços abertos da solidariedade cristã.”

AINDA – Nota sobre bomba e estopim: Fala-se em nova paralisação nesta segunda-feira. Caminhoneiros estariam insatisfeitos com o acordo. E não querem ficar como responsáveis pelos recursos tirados da educação, saúde, segurança e infra-estrutura para um desconto que não vai chegar à bomba.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments