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Eleição no Tocantins – Análise TUEL | Consultoria Política

Ontem tivemos eleições suplementares em vinte cidades brasileiras e no estado do Tocantins. O que podemos tirar dos números?

A TUEL Consultoria preparou uma análise sobre a eleição no Tocantins.

Para começar, uma tabela com dados sobre os quatro primeiros colocados: quantidade de seguidores no Facebook; tempo de televisão das coligações; posição no IBOPE de maio; resultado na urna.

Facebook (n de seguidores)
1. Katia Abreu PDT 102.96
2. Amastha PSB 35.825
3. Vicentinho Alves PR 39.506
4. Mauro Carlesse PHS 15.223

TV 1 turno
(2) Katia Abreu PDT 8’17”42
(1) Amastha PSB 13’27”54
(4) Vicentinho Alves PR 3’37”98
(3) Mauro Carlesse PHS 7’41”85

Ibope Maio 2018
(1) Katia Abreu PDT 22%
(2) Amatstha PSB 15%
(2) Vicentinho Alves 15%
(3) Mauro Carlesse PHS 10%
Branco 18%
Nulo 18%
NS/NR 12%

Resultado 1 turno
(4) Katia Abreu PDT 15,66%
(3) Amatstha PSB 21,47%
(2) Vicentinho Alves PR 22,22%
(1) Mauro Carlesse PHS 30,31%
Abstenções 30,14%
Nulos 17.13%
Brancos 2,06%

Mais uma vez, a apatia se destaca. O primeiro colocado ficou empatado com a abstenção e, se somarmos a ela votos brancos e nulos, os eleitores que optaram por não votar (abstenção), não decidir (voto em branco) ou protestar (voto nulo), representam metade da população. Quadro preocupante.

A apatia, como anotei (leia aqui) no relatório de dezembro de 2017, véspera do primeiro turno da eleição presidencial no Chile, é um fenômeno mundial. De lá pra cá se repetiu do Líbano à Colômbia, já tinha acontecido no Amazonas e na cidade de São Paulo e se mostra como tendência para as eleições gerais de outubro: metade dos brasileiros não estão tem candidato a presidente e, em São Paulo, o IBOPE mostra que no segundo turno os dois candidatos mais bem colocados têm a mesma popularidade dos brancos e nulos.

Muito se engana quem supõe que trata-se de um fenômeno restrito ao universo político-eleitoral. Como já escrevi aqui, a fogueira que grassa no breu da crise de representatividade é geral. Vale para a iniciativa privada – vide reclamações sobre produtos e serviços, notadamente bancos, telefônicas, planos de saúde –, imprensa, academia, igrejas e até clubes de futebol.

Aqui cabe a metáfora clássica: a política passa por um fenômeno parecido com o futebolístico: nas redes e nas ruas, tiro, porrada e bomba das torcidas organizadas. O que faz o cidadão moderado? Se recolhe e assiste pela TV, cada vez menos empolgado. Compreensível. Mas o preço também é clássico: se vê obrigado a torcer por alguém que não o anima.

Como mostram os números do Tocantins, o candidato Carlesse, do nanico PHS, triplicou sua pontuação entre a pesquisa IBOPE de maio e a urna em 3 de junho. Era o quarto colocado em seguidores no Facebook e sua coligação tinha o terceiro tempo de televisão.

Como isso aconteceu, não sei. Não acompanhei a campanha. Mas se o nome adotado pela sua coligação era também o conceito da candidatura, temos uma pista: “Governo de Atitude”. Este é o zeitgeist. Enquanto as demais coligações caíram na velha esparrela do “É a vez dos tocantinenses”, “Verdadeira mudança”, “Reconstruindo o Tocantins”, Carlesse parece ter se posicionado.

No viés inverso, Katia Abreu derreteu. Ruralista e dilmista ao mesmo tempo, tinha o segundo tempo de TV, muito mais seguidores nas redes e liderava as pesquisas. Acabou em quarto lugar.

Palpite: a dubiedade não terá lugar em outubro. Quem pretende votar espera atitude, posição, ideias claras. Marina Silva estacionada e Geraldo Alckmin oscilando para baixo parecem confirmar. Ao passo que Lula, mesmo preso, se mantém; Jair Bolsonaro oscila para cima e Ciro Gomes, depois da bem avaliada participação no Roda Viva (mostrou ternura sem amolecer) virou alternativa até para a economista Monica Bolle, diva do liberalismo esclarecido.

ATUALIZAÇÃO: Circula pelas rede sociais um vídeo com a presidente do PT senadora Gleise Hoffmann lendo uma carta do presidente Lula apoiando Katia Abreu. Os remeteres atribuem sua derrota à mensagem. Os dados, porém, apontam que sem o apoio o derretimento poderia ter sido maior. Em maio, 47% dos eleitores do Tocantins declararam ao IBOPE que o apoio de Lula aumentaria a chance de escolher determinado candidato. O apoio do presidente Temer ou do ex-governador Marcelo Miranda teriam efeito inverso. Os demais presidenciáveis ou a presidente Dilma não influenciariam ninguém. (Veja íntegra da pesquisa aqui.)

TUEL Consultoria Política | Construção de Narrativa
leocoutinho@leocoutinho.com.br

 
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