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Campeonato brasileiro será decidido entre Gaviões e Mancha Verde?

O campeonato brasileiro caminha para ser definido por Gaviões contra Mancha Verde em batalha campal – ou pelo menos assim parece a quem observa o desenrolar do noticiário.

Metáforas futebolísticas sempre servem bem ao cenário político. E quem hoje olha o campeonato eleitoral tem a sensação de que o caneco será de uma das torcidas organizadas.

O Datafolha de ontem veio tão igual aos anteriores que a própria cobertura da Folha de São Paulo teve que se adaptar. No lugar dos gráficos, destaque para análises.

A minha é a seguinte: o eleitor moderado não quer saber da pancadaria na porta do estádio, desconfia da cartolagem e prefere ver de casa. Nem berrar “chupa” na janela ele vai. O que resta, nas ruas e nas redes, é Gaviões versus Mancha Verde. Ou antes, Pavilhão 9 X Mancha Verde.

Glossário:
Porta do estádio: redes sociais e manifestações;
Cartolagem: partidos e políticos profissionais (estabilishment, realpolitik);
Chupa: bater panela (venderam para comprar feijão?);
Pavilhão 9: Lula;
Mancha Verde (Torcida mais violenta): Bolsonaro.

Grande parte do eleitorado moderado foi tomado pela apatia (anotei os sintomas aqui há seis meses 17/12/17) e não quer se expor à pancadaria. De pronto, praticamente ¼ (23%) dos pesquisados declararam que devem votar branco ou nulo em outubro. Em junho de 2014 eram apenas 8%.

Ocorre que, como é sabido, o jogo é definido em campo e a estrutura dos times maiores conta. Assim como conta a cartolagem, o patrocinador (financiamento), como será o jogo “em casa” (popularidade dos candidatos e coligações nos redutos eleitorais) e, dizem, até a arbitragem e a cobertura da imprensa. Fora as possibilidades de doping (fakenews e outras fraudes, que ganharam força hoje com a perda do prazo para lei de proteção de dados).

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Daí que, com o rolar da bola, o cenário eleitoral pode mudar de uma hora para outra lá nas semifinais. Mais: a probabilidade da apatia ser confrontada com o senso de responsabilidade e tirar o sujeito do sofá na repescagem (segundo-tuno) existe – no Chile foi assim.

Eis o perigo. Torcidas apaixonadas são tão fiéis às suas vontades que digerem mal esses resultados. Não raro, rola um quebra-quebra. Eleitoralmente falando, sobra quem desconfie do sistema político-eleitoral, diga juiz ladrão, imprensa tendenciosa, pesquisa fajuta, urna viciada.

Se você está confusa hoje, freguesa, não perca por esperar outubro – se houver.

 
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