Blog do Léo Coutinho - Trump, Kim e as fissuras
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Trump, Kim e as fissuras

Donald Trump e Kim Jong-un se encontraram ontem na ilha de Sentosa, antiga Ilha do Morte. Conforme artigo da Economist traduzido pelo Estadão, Sentosa é um termo malaio que significa paz e tranquilidade. Mas até 1972 a ilha tinha outro nome “Pulau Blakang Mati”, ou “Ilha da Morte”.

Do encontro ambos saíram com um entendimento que merece ser celebrado como vitória pela humanidade. Não que os termos assinados valham alguma coisa e muito menos signifique esperança – tanto um quanto outro não prezam acordos institucionais. Mesmo assim, devemos celebrar o fato do jantar ter acabado sem malcriações de parte a parte. A chance de descambar para agressões verbais e até físicas me parecia alta. Ufa.

Para o futuro, o que receio é o fortalecimento do discurso anti-civilização. O atropelo dos ritos diplomáticos é assustador. Não deu errado dessa vez, mas pela força da imagem pode virar prática comum acabar mal.

Conversei com amigos que gostam do Trump, com amigos que desgostam e com moderados. As opiniões sobre quem estava mais à vontade variam muito. Na minha, era o Kim. Mas tanto faz.

Minha aflição, insisto, vem dos aplausos à sem cerimônia que marcou a preparação do convescote. A rigor, poderiam dispensar a foto “histórica” e fazer tudo pelas redes sociais.

À esta aflição somo o maniqueísmo dos que atacam a Coreia do Norte por ser uma ditadura sem lembrar que Cingapura não é uma democracia.

Com trocadilho, morro do medo de fissuras. São elas que levam barcos a pique, sejam canoas ou transatlânticos.

 
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