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Copa e cozinha

Nosso querido Ruy Castro foi informado pelo amigo Carlos Maranhão de que o estrogonofe russo vem em tiras, não em cubos, sem ketchup ou creme de leite e desacompanhado de batata palha ou do onipresente arroz branco, e assim decepciona a torcida brasileira que se faz presente no mundial da Fifa. Então meteu na Folha de S.Paulo o “Fiasco na gastronomia”, narrando outras diversas confusões culinárias próprias de tudo que atravessa fronteiras e absorve costumes alienígenas.
Preparado na cozinha do Ruy o artigo só poderia ter ficado uma delícia. Mas convém uma objeção: o empanado do nosso bife à milanes, ainda que de fato não guarde semelhança com o que é servido em Milão, não condena a carne à asfixia. Um bom exemplo pode ser encontrado no hotel Fasano, pegado à casa dele no Rio: vitelo empanado em lascas de pão de miga, receita do chefe sarro Salvatore Loi.
Se aqui em São Paulo, basta ao Ruy chamar o Baiano e combinar uma tarde no banco do Julinho no Bar da Dona Onça. O bife à milanesa da Janaina Rueda chega com a crosta seca e crocante e a carne rosada, intumescida de todos os seus sucos que não tiveram por onde escapar quando mergulhados em óleo quente.
E hoje nO Globo o Ancelmo Gois mostrou que nos vingamos. Um brasileiro dono de restaurante em Moscou botou no cardápio o “Cowboy on the horse beef”, que seria o nosso bife a cavalo. Porém a foto de reprodução mostra um bife a Camões, isto é, com um ovo só, homenageando o escritor caolho ou, no máximo, um cowboy roncolho – adjetivo vulgar que no Brasil serviu para batizar outra receita clássica, o brigadeiro. Mas isso é outra história.
 
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