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Ontem, no Rio, Eike e o Novo

Correu o martelo do juiz Marcelo e Eike Batista, até outro dia dono da sétima fortuna do mundo, pegou trinta anos de cana. Houve vasta cobertura e não vou me estender sobre isso.
Curioso é que lá do mesmo Rio de Janeiro a sentença do doutor Bretas acabou abafando a retumbante substituição no Partido Novo. O técnico Bernardinho, como sabemos, não tentará o Palácio Guanabara. Ensebou o quanto pôde entre o sim e o não, até que os caciques se aborreceram e mandaram ele pro chuveiro.
Sejamos justos: nisso o partido é novo mesmo. De modo geral, o tempo da política tolera indefinições. Nas cortes, ninguém tido como sensato é adepto do vai ou racha. Com o Novo é diferente. Lá o tempo tem a cultura do mercado, isto é, prazos, metas, deadlines e daddylines.
Já no diz-que-diz dos bastidores, o Novo é igual a todos os outros partidos. Exemplo: dirigentes reclamando em off para a imprensa e o Bernardinho no tradicional “sem comentários”.
No lugar do Bernardinho botaram Marcelo Trindade, ex-presidente da CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável por botar ordem no mercado financeiro.
Além do Trindade, nos conta o Lauro Jardim n’O Globo, o Novo absorveu mais dois quadros egressos da CVM para disputar a Câmara Federal.
Mas o que o trio cevemístico tem a ver com o Eike além de viverem na Cidade Maravilhosa? Bom, durante o período Rio Maravilha, quando Sérgio Cabral Filho era reeleito e fazia sucessor, Eduardo Paes tinha o melhor emprego das galáxias, vinham UPPs, Copa, Olimpíadas, enfim, a farra do guardanapo corria solta e a turma se lambuzava sem receio, Eike publicava continuados fatos relevantes sobre seus negócios com uma inovação notável, o autoelogio, sobre os quais a CVM nunca deu um pio.
Sei lá, pode ser chatice minha, coisa de velho ranzinza e não de novo gente fina, mas eu acho que, fossem candidatos competitivos, os três da CVM seriam chamados a responder sobre o que não fizeram.
Aliás, algo me diz que o motivo da fuga do Bernardinho tenha a ver com vontade de evitar perguntas indelicadas, como a citação do fundo Aalu, controlador da Bodytech, rede de academia onde ele é presidente do comitê técnico, na delação da Andrade Gutierrez, envolvendo R$ 20 milhões, já confirmados por ambas as partes, que só divergem sobre se foi ou não propina para a campanha de Aécio Neves em 2014.
No fim das contas meu palpite é que tonto-mor desse período Rio Maravilha foi o Eike. Tinha tudo para não precisar se lambuzar e cedeu. Pior: não terminou a reforma do Hotel Gloria. Triste. O saudoso Eliezer Batista deve estar babando numa gravata celestial. Que Deus o tenha.

 

 
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