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Que país!

Que país! Quando a gente acha que chegou ao limite do surrealismo, avançamos mais. Só me lembro dessa sensação quando do atentado das torres gêmeas nos Estados Unidos. O prefeito de Campinas, Toninho do PT, era assassinado, a filha do Silvio Santos sequestrada e o sequestrador, em fuga, descia do décimo andar de um flat pelo lado de fora, ia a até a casa do Silvio, ficava com o próprio na cozinha e chamava o governador Geraldo Alckmin para resolver o caso quiçá num café com bolo. E o governador compareceu. Sei que gente mais velha viveu coisas mais absurdas, mas a minha referencia mor é esta.

No final da manhã de hoje chega um zap: Lula livre. Pensei: fakenews. Mas fui conferir nos órgãos de imprensa confiáveis e era verdade.

Um desembargador plantonista do TRF-4, sozinho, revoga uma decisão colegiada. Até aí, estamos acostumados. Isso vem sendo o padrão do Supremo Tribunal Federal.

Logo em seguida, também pelo zap, chega o despacho completo. 33 páginas. Incrível velocidade. O primeiro argumento me prende: Lula é pré-candidato e estar preso atrapalha a campanha. Cuma? Se eu sou advogado criminal e tenho um freguês em cana, já estaria com o HC pronto dizendo que o meu preso também quer ser presidente. Ah, mas o Lula é filiado e o seu cliente trombadinha não tem partido. Ora, Tratado de São José da Costa Rica neles. Ninguém precisa ser filiado para ser candidato e muito menos pré-candidato. Base jurídica há. Vai que passa…

Minutos depois um amigo advogado mostra que o juiz Sérgio Frenando Moro, em duas páginas, diz que o desembarga de plantão é incompetente e não abre o cadeado. Impasse.

Ato contínuo, o desembarga insiste e manda soltar em uma hora – já vencida. Impasse permanece.

PGR diz que é para obedecer o colégio de Porto Alegre. STJ subiu no muro e diz que só fala provocado. STF diz que só fala depois do STJ.

Então foram perguntar à doutora Carmem Lúcia, presidente do Supremo, que se ateve à hierarquia: juiz não pode desobedecer ordem de desembargador. Resultado: solta o Lula. Cumpra-se. Só que não. O homem continua trancado.

Inacreditável. Mas é o que temos.

Logo mais Carmem Lúcia não será mais presidente do colégio mais alto da Justiça Brasileira. Fica o Tofoli no lugar dela. A rigor, não há eleição, mas rodizio.

O desembargador que soltou o Lula foi filiado ao PT, que é do Lula. Tofoli foi advogado do PT e, assim como tantos outros ministros, mais recentemente adotou a prática de decidir sozinho. E antes, lá no mensalão, já não se sentia impedido para decidir em casos assim. Colégio para quê?

Quem acha que o juiz é partidário pode relaxar. Quando chegou o caso da máfia da merenda envolvendo o deputado estadual Fernando Capez do PSDB, Tofoli também não viu impedimento para decidir, mesmo com o irmão do Capez trabalhando em seu gabinete no STF.

Zona. Zona. Zona. Pior que zona.

Dois palpites: se soltarem o Lula, não prendem de novo; Bolsonaro e ditadura ganharão força.

Uma dúvida: uma vez na calçada, Lula pode querer assinar o manifesto do Centro Democrático Reformista (é este mesmo o nome?). Vão aceitar? Sim ou não e por quê?

 

 

 
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