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Três pedros e uma pedra no caminho

Pedro Taques de Almeida Pais Leme, tetraneto de Brás Cubas e sobrinho-neto de Fernão Dias Paes Leme é o nome central da genealogia paulistana. Escreveu o clássico Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica e a História da Capitania de São Vicente. Morto em 1777, até hoje é o principal historiador dos paulistas de quatrocentos anos, chamados quatrocentões.

Pedro Alcântara Brandão Filho, de 54 anos, xará dos imperadores do Brasil, com este nome poderia avalizar tranquilamente a compra de uma fazenda histórica no interior paulista, do Vale do Paraíba à Alta Mogiana, ou em qualquer lugar.

Pedro da Silva, bem… Eu sou Silva por parte de mãe e sei que o sobrenome é bastante comum. Superou em número até os Cavalcanti que, de Pernambuco, se esparramaram pelo Brasil.

Se vivo fosse, Pedro Taques obviamente seria assinante do Estadão. E, recebendo o periódico na manhã de hoje, estaria confuso com a entrevista do Pedro Alcântara falando do Pedro da Silva.

Ocorre que, ao contrário do que poderia imaginar o Pedro nobiliarquista paulista, Pedro Alcântara era motorista da mulher do Pedro da Silva, Adriane, e por isso falou ao Estadão.

Pedro da Silva foi diretor da Dersa e, junto com Laurence Lourenço, está preso pela Operação Pedra do Caminho, que investiga traficâncias nas obras do Rodoanel. Na casa de um deles a Polícia Federal encontrou cem mil reais e cinco mil dólares em espécie.

Pedro Alcântara, na entrevista ao repórter Luiz Vassallo, conta que, às ordens da ex-patroa, fez muitos depósitos de dinheiro assim, grosso e em espécie, atividade que alternava com levar e trazer as crianças da escola. “Não era em envelope, não. Era dentro de pastas, mochilas”, contou. Informado que a origem da gaita era venda de gado, nunca perguntou nada. Missão dada, missão cumprida. Até que um dia o gerente da Caixa Econômica Federal pediu seu CPF. Desconfiado, avançou: “Olha, dona Adriane, eles pediram meu CPF.” E ela: “Não, isso é só para controle, porque você é o portador do dinheiro.”

Por tudo isso, dez anos depois, Pedro Alcantara acordou, às quinze para as seis da manhã, com as viaturas da Federal na porta de casa, no bairro da Guarapiranga, periferia de São Paulo. O delegado, diante da construção, notou que perdera a viagem. Olhando as instalações da residência, pediu desculpas e cravou: “É, o senhor entrou como laranja.”

De Pedro em Pedro, o mundo gira e o anéis rodam. Só o Rodoanel não fica pronto.

 
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