Blog do Léo Coutinho - Bolsonaro no Roda Viva
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Bolsonaro no Roda Viva

Jair Bolsonaro deu um baile no Roda Viva – enquanto lutou no porão, onde é imbatível.

É tecnicamente impossível debater racionalmente com quem relativiza a ditadura, tortura, estupro, assassinato, direitos humanos. E é também inútil, porque quem concorda não vai mudar de opinião e, quem discorda, acaba vítima de um processo orgânico, onde todo o sangue vai para o aparelho digestivo, embrulhado com as atrocidades verbalizadas.

Já quando foi chamado à luz do sol, acabou severamente magoado. Não conseguiu responder sobre saúde, economia e até segurança, supostamente sua área de especialidade. Se enrolou todo tentando explicar a tática de invasão de favelas ocupadas pelo crime organizado armado.

Sobre gestão foi hilário vê-lo citando o exemplo do Antonio Ermírio de Moraes na Beneficência Portuguesa como modelo para a Presidência da República. Segundo ele o segredo está em assinar todo e qualquer cheque superior a três mil reais. Haja pulso…

Infelizmente, ao perguntarem sobre insubordinação, preferiram citar os oficiais do Exército do que o Paulo Guedes, posto Ipiranga (sic) do candidato para economia. Cadastro positivo e bomba fiscal, onde respectivamente o deputado votou contra ou simplesmente faltou, eram essenciais para o entendimento da atuação dupla.

O agronegócio também foi preterido. Paulo Guedes se diz contra subsídios. Mas aparentemente os produtores rurais que vêm carregando o Brasil nas costas não sabem disso.

Em questões políticas também fracassou. Bolsonaro se lembra com orgulho do aliado Eduardo Cunha no apoio à aprovação de um dos dos dois projetos de lei que conseguiu passar em quase trinta anos de mandatos políticos. Segundo ele, não teria como saber das traficâncias do hoje presidiário Cunha.

Então, quando perguntado o que teria feito pelo Rio de Janeiro, que tantas vezes o elegeu e se encontra em estado de calamidade, disse que nada, porque não se aliaria a Sérgio Cabral. Como assim? Não sabia do Cunha mas sabia do Cabral e não denunciou? Isso é prevaricação, capitão.

Por fim, a TV Cultura já pode preparar uma segunda carta mea-culpa, qual fez sobre a entrevista com Manuela D’Ávila. A direção da entrevista com o ex-governador Geraldo Alckmin foi nitidamente favorável, com direito a desfile de apoiadores, cortes em momentos de pressão e até intervalos curtos com anúncios de realizações do governo do estado de São Paulo. Nenhum outro candidato mereceu tal deferência. A ameaça do autoritarismo se combate dentro da democracia, cujos princípios fundamentais são igualdade de condições e liberdade (e responsabilidade) de imprensa.

 
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