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O Brasil é o Pará do mundo

Um amigo querido dedicou-se a abrir uma fazenda de gado no Mato Grosso do Sul. Procurou a melhor terra, preparou a infraestrutura de modo a prescindir de mão de obra e livrar ao máximo reparos de manutenção, respeitou declives, cursos d’água, matas ciliares e capões. Plantou e ainda planta mais aroeiras, sua paixão.

Demorou, mas ficou um camafeu. Mais diretamente, um peão sozinho dá conta de engordar até dez mil bois. Ganha acima da média, mora com a mulher numa casa melhor que a do dono da fazenda, usa caminhoneta japonesa.

Sendo bom peão, recebeu uma oferta de emprego onde ganharia mais, teria uma casa maior e uma caminhoneta igual só que zero quilometro. No Pará. Aceitou.

O círculo de Gini

Na demissão meu amigo o parabenizou mas advertiu: “Tem certeza? No Pará a coisa é diferente. Vão botar revolver na sua cara, mexer com a sua mulher…” Em vão. Seduzido pelos bens de consumo, o bom peão partiu.

Seis meses depois pediu penico. E ganhou. Voltou e está feliz da vida enfurnado lá no MS. Conheço a propriedade e confesso que às vezes sonho com a vida que ele leva.

A relação do Brasil com o mundo civilizado é parecida. Aqui o rico acha que vive bem. Considera chique ter carro blindado, segurança armada, viver em cidadelas medievais muradas, ter vassalos às ordens, hospital com hotelaria cinco estrelas, não pagar imposto sobre avião, iate, herança, lucros e dividendos. Seus filhos podem brincar nos condomínios fechados a cem quilômetros de distancia e, quando chegam na idade de conhecer uma calçada, vão a Paris (antes disso só Miami ou estação de esqui).

Sei não, mas acho que, para tirar o Brasil dessa miséria, a gente tem que cuidar primeiro dos ricos. Se a vida deles não melhorar no cotidiano, nunca haverá sociedade.

 
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