Blog do Léo Coutinho - Soldadinho pira
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Soldadinho pira

O rei da simpatia e do alto astral Nelson Motta festejou hoje n’O Globo o Dia Internacional do Orgasmo, lembrando da sua importância para a democracia.

Ele questiona: “Quanto estresse, intolerância e violência nascem da frustração sexual? De quanta raiva, inveja e ressentimento seríamos poupados cada vez que alguém, pobre ou rico, branco ou preto, homem ou mulher, crente ou ateu, tivesse um bom orgasmo?”

A História prova que Nelsinho tem a dúvida exata.

Há cem anos, depois de sobreviver à primeira Guerra Mundial, o mundo resolveu gozar. Foram os anos vinte, os anos loucos. Paris era uma festa. Ao piano o Cole Porter insistia: façamos, vamos amar. Assista aqui ao resumo do Woody Allen.

Para a aristocracia entediada nos castelos do interior da Inglaterra era um deleite. Para o proletariado sufocado nas periferias poluídas, brisa. E a Rive Gauche subia o tom do batuque.

Ocorre que nem todo mundo gosta, ou gosta mas não abre. Parte da burguesia e da classe média que prosperara com a revolução industrial queria manter o status. Minha casa, minha vida, Maria Alice e as crianças. Saias para as meninas, calças para os meninos, cerca branca, grama verde e cada macaco no seu galho. Isto é, branco com branco, preto com preto, oriente-ocidente, norte-sul, homens no trabalho ou no bar, mulheres em casa ou na igreja e por aí vai.

Então surge na Áustria um soldadinho exemplar que não bebia, não fumava e, na definição do Nelsinho, era “impotente, gay enrustido, sexualmente frustrado” e prometia organizar a sociedade ao modelo do parágrafo anterior. Teve apoio, foi eleito e deu no que deu: Holocausto e outra Guerra Mundial.

A História é assim. Estica e puxa. Mas é inegável que avançamos. O jeito bom de olhar o lado ruim é lembrando que a gritaria reacionária é sempre proporcional ao avanço.

Para ficar no exemplo das mulheres: criamos leis, delegacias especiais, cada vez mais elas são donas dos próprios narizes, dão para quem quiserem mas não dão para qualquer um (obrigado, Leila). E é aí que os soldadinhos piram e reagem com força. Mundo afora querem um Hitler para chamar de presidente. Esta freguesia sabe de quem se trata e pode notar: o voto deles é essencialmente masculino.

A notícia alvissareira para nós brasileiros é que o mulherio tem maioria eleitoral e está de olho nas candidaturas. Avante! Pode gozar à vontade, mas até outubro convém evitar a gritaria.

 
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