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Convenções e chapas 2018 – análise TUEL | Consultoria Política

Convenções realizadas, chapas praticamente definidas – porque a rigor o prazo é 24h além último dia para convenções, isto é, hoje, mas há, como sempre, interpretação plural da lei e, portanto, na prática a coisa pode rolar até 15 de agosto, prazo para registro das candidaturas.

Para as gerais Lula não largou o osso e vai buscar as negativas da Justiça até a última instância, e só então avisar que seu preposto é Fernando Haddad. Combinaram com o PC do B que até lá Manuela D’Ávila aguardará no banco. Cenário no mínimo curioso. Se Haddad ascender (ou acender, tanto faz), em 2019 poderemos ter um presidente da República que vai regularmente a Curitiba despachar com um presidiário.

Jair Bolsonaro aguardou Janaína Paschoal no altar mas a noiva deu o cano, assim como o astronauta e o príncipe. Acabou ficando com um colega de caserna, o general Mourão, aquele que propunha intervenção militar e xará daquele que começou o golpe de 1964. Outro cenário curioso. Militares tendem a respeitar hierarquia. Capitão obedece general. Esta equação, com o histórico de golpes do Brasil e das Forças Armadas, sendo o general notória vivandeira alvoroçada, superior ao capitão e ainda vindo de um partido mais conhecido pelo Aerotrem, que em São Paulo virou Fura-Fila, tirem suas conclusões.

Marina Silva chegou a cogitar o ator e produtor rural Marcos Palmeira para a vice, mas acabou fechando com médico Eduardo Jorge, do PV. Ganhou o mínimo de tempo de televisão para se tornar competitiva e um equilíbrio ideológico sui generis. Nenhuma outra chapa é tão igual e tão diferente. Ambos foram do PT mas saíram a tempo. Ambos foram para o PV, de onde ela saiu para fundar a Rede e ele permanece. Ambos são conhecidos como ambientalistas. Ambos já disputaram a Presidência da República e têm bom recall. Ambos têm experiência no Legislativo e no Executivo mas não tem a cara da velha política. Ela é do Acre mas tem pinta de cidadã do mundo. Ele é baiano e fez carreira em São Paulo. Ela é progressista na vida pública e conservadora na privada. Ele é completamente progressista. Ela é de trato difícil. Ele é o gente-fina mor, campeão dos memes em 2014, foi secretario de Erundina, Marta, Serra e Kassab. Incluindo Marcos Palmeira, o trio forma a única chapa que fala para além do seu quadrado, notadamente o eleitorado feminino, que representa 52% do total de votantes e dos quais 80% ainda não tem candidato ou pretende votar branco ou nulo.

Ciro Gomes, que prefere ter razão do que ser feliz, ficou sozinho no PDT. A seu lado perfilou-se Katia Abreu, aguerrida ruralista e ex-presidente da CNA que se desentendeu com o agronegócio quando virou a melhor amiga de Dilma Rousseff. Foi candidata ao governo do Tocantins nas eleições suplementares de junho e acabou em quarto lugar mesmo tendo o apoio de Lula. De temperamento forte, chegou a atirar uma taça de vinho no senador José Serra por conta de uma piada inadequada, o que não ajuda a amenizar a deficiência mais destacada em Ciro. Do mesmo PDT de Ciro, não agrega um segundo de TV nem um centavo de fundo eleitoral. Parece antes um mandacaru de espinho, que não dá sombra nem encosto, do que postulante a vice.

Geraldo Alckmin escolheu Ana Amélia do PP para representar o Centrão. A ideia é usar a popularidade da gaúcha direitista para recuperar os votos que migraram para Bolsonaro e Álvaro Dias. Aposta arriscada. Se der certo no primeiro turno, o foco no Sul conservador pode custar caro no segundo turno, quando o Nordeste, os lulistas e o eleitorado moderado passam a ser fundamentais. Ana Amélia é mais um perfil curioso. Histórica defensora da ditadura militar e com vapores nacionalistas, apoiou a comunista Manuela D’Ávila do PP para a prefeitura de Porto Alegre.

Álvaro Dias do Podemos se juntou com Paulo Rabello. Num retrato falado o mesmo desenho serviria para os dois. O discurso também é gêmeo. Juntos com os banqueiros Henrique Meirelles do MDB e João Amoedo do Partido Novo o trio forma a grateia que pode encalhar o crescimento de Geraldo Alckmin, previsto para quando a propaganda começar nas cidades (16/8) e na televisão (31/8)  – se o tucano vai caçar os bolsonaristas, os liberais caçarão os alckmistas.

 

 
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