Blog do Léo Coutinho - A narrativa do exagero
Facebook YouTube Contato

A narrativa do exagero

Há uma técnica narrativa que o vulgar chama de “vamos para as cabeças”. Quer dizer, na beira do precipício você começa a sapatear na esperança do arrepio geral que acalma a todos.

O mito Zé do Pé teve uma assim com o delegado Nerval Ferreira Braga. Chegou à casa do amigo e disse que queria matar fulano. O Nerval obviamente tentou até onde pôde tirar a ideia da cabeça do Zé. Gastou saliva e quase um litro de uísque. Mas não tinha jeito. “Xerife, vou matar o canalha!” Daí o Nerval foi no quarto, pegou um revolver e entregou ao Zé – que com o ferro na mão desistiu na hora da ideia.

A aposta é arriscada e nem sempre tem êxito, como prova a presença do fio-dental nas praias e banheiros de restaurantes. A civilização já estava contemplada com o biquíni comum e fio-dental em casa. Mas algum reaça teve a ideia de radicalizar achando que poderíamos retroceder. Deu ruim. Há fio-dental para todo lado.

Anteontem quando o Supremo votou o aumento dos salários dos próprios membros, e com a consciência do efeito em cascata sobre os demais numerários dos funcionários públicos, fiquei com essa sensação. Só podem estar querendo um levante, seja do Congresso, seja da sociedade.

Outro exemplo que me ocorre é o do menino que esparrama projetos de armas de fogo que podem ser fabricadas em impressoras 3D. Parece loucura mas funcionou a ponto de obrigar os defensores do liberou geral a reconhecerem a necessidade de limites para o direito constitucional dos americanos possuírem armas.

Por fim, resta o cabo Dacioclo. (Para não falar do Alckmin apoiando o Collor – Covas deve estar revirando na cova.) Pena o debate da Band não mostrar os pés dos candidatos. É muito divertido ver o cabo batendo o pé direito para pontuar suas frases em nome do senhor. Para mim tem todo jeito de candidatura auxiliar. Só não sei a quem ele serve melhor. Digo, se foi ideia de alguém que queria dividir os votos do Bolsonaro, o tiro pode ter saído pela culatra. Se foi ideia do Bolsonaro ou do Paulo Guedes, a aposta foi arriscada, e melhor seria usar um tempo extra no horário eleitoral da televisão.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>