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As altas de Bolsonaro

“Pode me faltar tudo na vida: arroz, feijão e pão. Pode me faltar dinheiro, e tudo mais não me faz falta, não. Pode me faltar o amor – nisso eu até acho graça. Só não quero é que me falte, a danada da cachaça.”

Para mim as marchinhas de carnaval são a voz do Brasil, nossa tradução definitiva. E também servem perfeitamente a metáforas, neste caso, rivalizando com o futebol.

Para políticos, creiam, pode faltar até voto – vide o atual presidente da República. Ou dinheiro, como o líder nas pesquisas comprova. O que não pode faltar é telefone, tête-à-tête e clipping.

Daí pode-se imaginar a situação de Lula desde quinta-feira em Curitiba, data do atentado a Jair Bolsonaro. Daquele final de tarde até a manhã de hoje, olhou a TV e comentou, no máximo, com o carcereiro. “Companheiro, chega na grade…” Visitas não são permitidas aos finais de semana e feriados. Mesmo sem simpatia política pelo ex-presidente e com todo respeito a pessoa, não desejo essa aflição para ninguém.

Do lado de fora também não deve estar fácil. Fernando Haddad, no PT, é considerado coxinha, tucano, e sofre intensa oposição dos próceres petistas José Dirceu e Gleise Hoffman. Só Lula fala mais alto e apazigua. Porém exclusivamente em dia útil.

Na UTIs o acesso também é restrito, ainda que nem tanto. Mas qualquer equipe médica deve insistir com os familiares de um paciente no estado em que se encontra Bolsonaro que estresse é perigoso. E sabemos que a relação entre seus apoiadores é tão tumultuada quanto a do diretório nacional do PT.

É o PSL contra Gustavo Bebianno e a favor da prole de Jair, que por sua vez briga entre si mas obedece ao general Mourão e, juntos, atacam até Paulo Guedes, o Posto Ipiranga.

Vale lembrar a última eleição que Bolsonaro disputou, para presidente da Câmara. Ficou em último lugar, com quatro votos. Faltou até o voto do filho federal, que tomou esporro do pai via WhatsApp nos seguintes termos:

[“Papel de filho da puta que você está fazendo comigo. Tens moral para falar do Renan? Irresponsável (Jair tem um filho chamado Renan)”.

A cobrança continua: “Mais ainda, compre merdas por aí. Não vou te visitar na Papuda”.

O pai ainda se mostra preocupado com o que o filho estaria fazendo naquele momento.

“Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Somente aí Eduardo Bolsonaro responde para o pai. E não gostou de ser comparado com o meio-irmão.

“Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho , calma lá”] (Veja)

Paulo Guedes, boquirroto do mesmo jeito, não contente em bater boca com a seleção canarinho (camisa CBF) dos economistas brasileiros, disse o seguinte à revista Piauí sobre as contrariedades com a equipe, a dificuldade de lidar com o “mito” e a possibilidade de desistir do apoio: “Esse é o sonho de todo mundo, todo mundo quer foder o Bolsonaro. Mas esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito.”

Para ajudar, o general Mourão admitiu autogolpe militar num possível governo Bolsonaro à Globo News, foi irresponsável ao atribuir o atentado ao PT e, em artigo para a Folha, o coordenador para o agronegócio Frederico D’Ávila apostou que a relação do hipotético presidente Jair com o Congresso será boa, posto que “Um comandante que não sabe falar com seus comandados vai aprofundar a crise, agigantar as cizânias e destruir o país”. Poder Executivo e Legislativo com relação de comandante-comandado, Fred?

Dizia Antonio de Oliveira Salazar: “Em política, o que parece é.”

No Jornal Nacional de hoje sai a primeira pesquisa Datafolha pós-atentado e, na quarta-feira, Real Time Big Data no Jornal da Record. Nos bastidores diz-se que ambas detectaram alta nas intenções de voto de Bolsonaro, confirmando levantamento FSB-BTG divulgado nesta manhã.

A alta era esperada. Embora a prudência mande não comparar tragédias com atentados, e nem mesmo atentado com atentado, as comoções sempre guardam algum paralelo. Donde não se deve apostar que durem.

Em 2014, com a queda do avião de Eduardo Campos, Marina Silva tomou o noticiário na mesma proporção do que acontece agora com Jair Bolsonaro. Muito pouca gente sabia quem era o governador do Pernambuco. Porém o compadecimento lhe atribuiu qualidades divinas, que Marina somou ao seu capital político ao herdar a candidatura. Duramente atacada pelo PT, definhou.

Se a alta eleitoral se manterá, só o tempo vai dizer. Sigamos firmes na torcida pela alta médica.

 
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