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O dilema de Haddad

O dilema de Fernando está além de ser Haddad e não Andrade. Na cidade de São Paulo, que guarda muitas semelhanças com a eleição nacional, em 2012 ele era ainda mais poste do que é hoje e superou bem a dificuldade.

Em 2016 não foi reeleito, é verdade. Mal avaliado, ainda tinha que carregar o PT na garupa da bicicleta. Mas também é verdade que nunca ninguém foi reeleito em Piratininga. (Kassab não conta: em 2008 foi reeleito o governo Serra, tucano que havia renunciado aos quinze meses de gestão; entre 2009 e 2012 Kassab de fato assumiu e moeu a própria imagem, nunca mais se elegendo para nada.)

Agora é 2018, a fogueira da corrupção se alastrou e sobrou para todo mundo. A lenha do PT, já em brasa, faz o povo lembrar da picanha que comia na era Lula. Tanto é que 39% gostariam de votar nele de novo. A lógica é: se todo mundo rouba, voto em quem me convidou para o churrasco.

O dilema de Haddad é encarnar Lula na esperança de cair nas graças do PT raiz ou se libertar mostrando que tem luz própria.  Decisão difícil e eleitoralmente arriscada.

Na primeira hipótese terá que enfrentar o ciúme e a fúria de um cão fiel de Lula que está sem coleira ou tornozeleira: José Dirceu. Também daria motivos para Gleisi Hoffman, presidente do PT, expor motivos racionais para sabotar a própria campanha nacional. Ambos são seus desafetos.

Optando pela segunda alternativa, teria que lembrar aos banqueiros como estes foram prósperos sob Lula e convencer o mercado como um todo que concorda em reformar a Previdência, atacando privilégios. Com a população as duas coisas são mais fáceis.

O problema é: se disser perde o PT. Se não disser, vira Dilma. O craque Demétrio Magnoli escreveu melhor a respeito n’O Globo, que também trouxe uma observação tenaz do Lauro Jardim. Lula escreveu que Haddad “até este momento desempenhou com extrema lealdade o papel de candidato a vice-presidente”. “Até este momento”, companheiro?

 
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