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Santinho do pau oco

A campanha de rua tradicionalmente é mais forte nos rincões, favelas, periferias. Mas esse vazio pelas cidades é incomum mesmo em tempos de rede social e crescente apatia política.

Claro que a bem-vinda regra que permite impulsionamento virtual melhorou a comunicação das campanhas. O WhatsApp transformou a pedra que caía no centro do lago, reverberando lentamente a mensagem até as bordas, em um amplo pedregulho, capaz de esparramar a decisão tomada numa sala, com meia dúzia de caciques, pelo país inteiro em questão de minutos. Militar pelo computador também é bem mais confortável do que “amassar barro”. A sustentabilidade agradece.

Mas o fato é que não se destacam carros com adesivos, casas com bandeiras e, menos ainda, gente distribuindo santinhos nas esquinas.

Curiosamente, segundo a Folha de São Paulo, até 30 de agosto o pódio das despesas de campanha estava assim: R$ 22,3 milhões em material gráfico, R$ 13 milhões em audiovisual, R$ 1,1 milhão em impulsionamento.

Recentemente precisei fazer cartões de visita. Minha amiga-irmã e designer Aninha Castanho tratou de tudo. No fim das contas, imprimir cem ou mil cartões não fazia grande diferença do ponto de vista do custo financeiro. Mesmo considerando papel e acabamento refinado, a conta ficava em torno de uns cem reais. Acabei ganhando de presente. Sei que fica deselegante comentar o preço, mas é preciso contextualizar.

Botando isso em escala e guardando as proporções de custo de material, podemos ter ideia do que é possível rodar com 22 milhões de reais.

Lembrando que as gráficas foram e são alvo de investigação de lavagem de dinheiro de campanhas eleitorais, e que 89% das empresas listadas no site do TSE têm problemas na Receita Federal e na Secretaria da Fazenda, surge um palpite inexorável do destino que o fundão eleitoral.

Para encerrar, os institutos Ethos e IBRACEM propuseram às campanhas uma carta compromisso por Contratações Limpas nas Eleições. Qualquer CNPJ pode aderir. O resultado você pode ver aqui. Mas já adianto: ainda não há signatários.

 
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