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Haddad no JN

Pode-se criticar o Jornal Nacional por tudo, exceto por injustiça. O jornalão da TV Globo recebeu ontem o agora candidato Fernando Haddad e repetiu, sem embargos, o mesmo papelão que fez com todos seus adversários na rodada original.

Para ficar em um ponto, William Bonner gastou quase um minuto inteiro elaborando uma pergunta onde repetiu, com pausas dramáticas, Lula-Dilma meia-dúzia de vezes e, quando o entrevistado tentou responder, interrompeu dizendo que ele desperdiçava a chance de esclarecer temas afeitos à sua campanha.

O âncora e editor precisa de uma folga. Talvez uma semana, dez dias de lua de mel, donde voltará mais leve e, quem sabe, o JN possa repetir a série de entrevistas de maneira civilizada.

Pode-se criticar Fernando Haddad por motivos diversos. Mas é injusto dizer que ele é Dilma. Muito mais parecido com a ex-presidenta é Jair Bolsonaro. Ainda que não seja tão ruim quanto ela, a semelhança do autoritarismo como cerne da personalidade, o histórico extremista e a dificuldade em expor um raciocínio se destacam em ambos.

Com a fogueira inquisitória espraiada por toda a ágora nacional, também é injusto criticar a candidatura de Fernando Haddad por ele pertencer ao PT, posto que casos de corrupção ou relações promiscuas com recursos públicos há em todos os partidos, sem exceção.

Também não foi mau ministro da Educação nem péssimo prefeito de São Paulo. Errou no planejamento do ministério e acertou na execução. Na prefeitura deu-se o inverso: foi bem no planejamento e mal no dia-a-dia. Mas o saldo, notadamente se comparado com o desempenho do sucessor, lhe é positivo, da zeladoria ao Plano Diretor, passando pelo combate a corrupção (Haddad fez a Controladoria e Doria não só desfez como coleciona denúncias e já é réu em processos).

A quem se interessar, escrevi em 2016 para a Folha um artigo analisando os prós e contras da gestão Haddad. Aqui.

A imprensa internacional elogia Haddad. O Wall Street Journal o considera um visionário. Bloomberg já lhe rendeu um prêmio e publicou que ele pode não ser o bicho-papão que o mercado brasileiro teme. E o Financial Times, ouvindo o oráculo acadêmico-liberal brasileiro Marcos Lisboa, presidente do Insper, anotou que o brimo é moderado.

Sugiro a quem deseja combater a candidatura petista de modo racional o foco em dois pontos: o papelão de aceitar ser fantoche do Lula e o vexame que seria um presidente da República ter que ir a Curitiba despachar quinzenalmente numa cela em Curitiba e, mais importante, a alternância de poder fundamental ao bom andamento da Democracia. Uma quinta eleição consecutiva do PT não seria sadia. (Também vale para o PSDB no estado de São Paulo, como já disse uma vez o presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso.)

 
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