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Bolsonaro 33 ou tirem as crianças da sala

A segunda-feira amanheceu chuvosa na cidade de São Paulo. De modo geral é um clima que me alegra, e especialmente depois da seca que enfrentamos, com tanta gente tossindo, sofrendo com o ar tão sujo. Chuva, para mim, é água benta.

Mas a alegria durou pouco. No whatsapp, dezenas de mensagens traziam a última rodada da pesquisa FSB/BTG, com Jair Bolsonaro marcando 33 pontos na tomada estimulada e estratosféricos 30% na espontânea.

Claro que a comoção, primeiro com o atentado, depois com a segunda cirurgia, e ainda com a notícia da debilidade que tomou conta do paciente, o impedindo de se sentar sozinho ou mesmo de fazer a própria barba, influenciaram o cenário.

Também vale lembrar que há uma semana, de todas as tomadas, os números da FSB/BTG eram os mais altos. Datafolha, Ibope e Real Time Big Data devem sair nos próximos dias e, na proporção da semana passada, devem registrar Bolsonaro como preferido de pelo menos 1/3 do eleitorado.

A explicação para além da comoção com o atentado talvez seja a emoção do voto anti-petista. Se Lula preso reforça a emoção de seus seguidores, indicando que seu substituto estará no segundo turno, a recíproca é igual: gente tida como sensata, apavorada com a possibilidade de uma quinta vitória petista consecutiva, se sente no inferno e topa abraçar o capeta. Isto é, se dispõe a votar em Bolsonaro assumindo o risco de que seja a última vez.

É inútil estender comentários racionais, mostrando que Bolsonaro historicamente votou aliado ao PT, contra o Plano Real e as privatizações, a favor da manutenção de privilégios para deputados e corporações; que mesmo mais recentemente, já tutelado por Paulo Guedes, foi contra o cadastro positivo e se omitiu na votação do aumento de gastos e que, ainda mais grave, sua campanha admite interferir nos demais poderes, do Judiciário ao Legislativo, e até a possibilidade de autogolpe – manual clássico de ditadura. Mais que inútil, talvez possa inflamar a teimosia.

A única coisa que me ocorre é deixar estar. Me lembro de um homem sábio, advogado que lutou contra a ditadura, vendo sua filha única, ainda adolescente, apaixonada por um namorado truculento. Ele sabia que nada poderia fazer para mudar o coração da filha. E se conteve em um comentário: “entranho… criei você numa democracia e você escolhe a ditadura…” Pouco tempo depois o namoro acabou.

Programaticamente é o que farei. Se for o desejo da maioria escolher um déspota nada esclarecido, que assim seja. Paciência. Mensagem derradeira: campanha é namoro, dá para terminar sem grande trauma. Eleição é casamento.

Pragmaticamente, apelo de novo para que tirem as crianças da sala. Quero dizer: quem tem menos que doze pontos é criança, não pode andar no banco da frente e, por responsabilidade, deve apoiar a alternativa intermediária que pode vender os extremos no segundo-turno. Repito o que escrevi ontem: senhora e senhores, componham-se.

 
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1 Comment  comments 

Uma resposta

  1. Ana Maria

    Realmente. E no 2º turno toda a “esquerda” (e a categorizo prioritariamente por opções econômicas, “economia criativa”) se unirá em torno de Haddad.