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Elogio ao SPCiro

O Elio Gaspari usou demofobia para explicar a reação sobre o melhor programa de urgência para a economia apresentado pelos presidenciáveis, o vulgarmente chamado SPCiro.

Alvo de piadas ótimas nas redes sociais, a proposta também foi atacada por adversários e alguns economistas. Meu palpite, porém, é que quem for eleito vai se render aos fatos e adotar a ideia. Vamos a eles.

Os governos já fazem algo semelhante para as empresas e para os indivíduos com Refis e anistias mil. O problema aí não é a ideia, ou o remédio, mas a dose, que virou veneno, posto que todo mundo que é eleto quer caixa e dá um jeito de receber qualquer caraminguá, o que acabou acostumando mal a turma.

E os bancos fazem a mesma coisa todo ano. Quando fecham seus balanços, realizam o prejuízo dos devedores, tiram a abjeta carga de juros sobre juros que botaram sobre a dívida e vendem o pacote no mercado para empresas de cobrança – sem romper a relação com o cliente.

João Amoedo, candidato banqueiro, ironizou a proposta e previu que os bancos privados adorariam ter seu passivo coberto pelos bancos públicos. Papo. Ele que vem do Itaú/Unibanco, que faz o que está no parágrafo acima anualmente, sabe bem que nenhum banco varejista está disposto a perder a freguesia para os bancos públicos, e é claro que, convidados a participar do programa, não hesitariam.

O que acontece agora, depois da economia ter chegado à depressão, é que mais de sessenta milhões de brasileiros estão com o nome sujo. Isto significa que o comércio não pode vender a prazo e por consequência não compra da indústria, que não produz, ninguém emprega, e a economia segue travada.

É de se supor que tenhamos alguns milhões de brasileiros caloteiros. Dez, vinte milhões. Sei lá. Mas não é possível alguém em sã consciência achar que sessenta milhões de pessoas estão endividadas por picaretagem.

O quadro atual é conjuntural, não estrutural. Dona Maria está no SCP porque emprestou o cartão para a vizinha repor a geladeira que perdeu na enchente, faltou ao trabalho, foi demitida. Seu João está com o nome sujo porque o genro é mais um dos milhões de desempregados e acabou de ser pai. Ambos são o grosso dos endividados.

Os entendidos dizem que a conta toda do SPCiro fica em torno de 200 bilhões de reais. E alguém já disse que, cortando os juros, ela cai para sessenta bilhões. Só o perdão dos impostos da fusão do Itaú/Unibanco foi de 23 bilhões de reais. Mas o que escandaliza os abonados é alguém querer ajudar (também) o pobre.

 
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