Facebook YouTube Contato

O enterro dos partidos – análise TUEL | Consultoria Política

Tanto falaram, não sem razão, da quantidade exagerada de partidos no Brasil, que passadas as eleições de 2018 boa parte deles será enterrada e outros entrarão em coma assistido. Sobreviverão os velhos bravos e os zumbis.
PT: O que restou foi o lulismo, com popularidade em torno de 40% contra 60% de rejeição. A simpatia popular ao PT, na casa dos 20%, liderança isolada entre as legendas, vem da associação a Lula. Fernando Haddad sobe, mas como disse um eleitor do Nordeste, indicado pelo Lula poderia ser uma galinha ou um jumento no Planalto.
Em São Paulo, o candidato Luiz Marinho, líder do ABC e portanto petista da gema, tem 6% (Datafolha 6/9). Já Eduardo Suplicy, que goza de eutonomia, lidera para o Senado com 31%.
PSDB: Pode fechar o caixão. Há tempos distante do programa original, apelou para o pragmatismo radical e não resistiu. No plano nacional, Geraldo Alckmin segue atolado com um dígito em intenções de voto, em que pese o motor que tem à disposição. Caso saia do atoleiro, encontrará uma estrada asfaltada na porta das terras de familiares. Não chega a ser escandaloso nos dias de hoje, mas nas hostes adversárias terá medida igual a do aeroporto do tio do Aécio em 2014, suficiente para interromper a viagem.
Em São Paulo, a trincheira primeira, as lanças caíram. Depois de tantos mandatos Geraldo amarga um terceiro lugar nas pesquisas (Paraná 24/9), em empate técnico com Fernando Haddad. E na corrida para o governo do estado, com um pé e cada canoa, o tucano acabou como sempre acaba quem se posiciona assim.
E para os tucanos e seus simpatizantes raiz, a melhor definição para o candidato João Doria é a da repórter Malu Gaspar, da revista Piauí: um javaporco político. Quer dizer, se superar a rejeição e for eleito, não representará o tucano no Bandeirantes. Sobre Minas e Paraná é desnecessário acrescentar comentário.
REDE: Mais para uma ONG de madame do que para um partido, nasceu e morreu na primeira eleição. Perdeu quadros importantes antes da primeira eleição. Marina Silva tem uma história pessoal quase beatificável e manterá alguns fiéis. Mas sem os resultados que alcançou quando disputou integrada a partidos de verdade, não será mais uma liderança.
NOVO: Bom de discurso e de propaganda, já sofre as dificuldades de não compreender o Brasil além da Faria Lima. Emociona neoliberais nas redes sociais, caras-pintada de laranja, mas não consegue formar quadros políticos reais e ainda cede absorvendo “o que tem para hoje”, com prejuízo de bons filiados.
Elegeu três vereadores em 2016, em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. A representante paulistana é cria do velho Campos Machado, do PTB, um dos donos da Assembleia Legislativa paulista, e tem atuação festiva na Câmara Municipal. O do Rio, descumprindo a regra partidária, que proíbe abandonar mandato na metade para disputar outro cargo, conseguiu na Justiça legenda para concorrer à Câmara Federal. E o NOVO, que nasceu para ser programático “contra tudo o que está aí”, responde com cara de donzela sodomizada pelo noivo para manter o aval do bispo.
Em 2020 terá que se responsabilizar pelos que cativou e sonham em prefeitar suas cidades. Como sabemos, tarefa difícil para qualquer legenda, qualquer empresa, qualquer família, como prova o caso do vereador carioca e repete o dilema da noiva.
PSDB, REDE e NOVO têm ainda uma escolha de Sofia comum que vai impactar o eleitorado: o provável segundo turno entre contra ou a favor do PT.
PSL: Sabemos que o que existe é Jair Bolsonaro e sua prole. São uma grife antipetista de discurso que, com o perdão do trocadilho, funciona como pólvora: se abafar explode, se soltar vira fumaça. Com êxito nesta eleição, terá que conviver com o bafo do canhão do aerotanque de General Mourão e Levy Fidelix do PRTB no cangote. Situação bastante desconfortável para um guarda de paiol de pólvora.
Nanicos em geral: a sopa de letrinhas deve minguar, tropeçando a médio e longo prazo nas seguidas reforminhas políticas, com barreiras cada vez mais difíceis, como cláusulas de barreira e voto distrital misto.
MDB, PSD, PP, PR, PTB: O Centrão seguirá prosperando como o mato que cresce até em terra arrasada. São os zumbis.
PDT, PSB, DEM, PV: Os velhos bravos seguirão e tendem a sobreviver em função das profundas raízes getulista-brizolista, de Miguel Arraes e da ARENA, respectivamente. O PV é o internacional da sustentabilidade, vigora no mundo todo com índices semelhantes desde a queda do Muro de Berlim.
Curiosidade: a contar pelas pesquisas mais frescas, FSB/BTG e Ibope, o próximo presidente será herdeiro dos dois principais líderes políticos deste século. Fernando Haddad já é conhecido como “o filho do Lula”. Mas num segundo olhar reparamos que o galã da USP, professor, intelectual, internacional, tem mais de Fernando Henrique do que apreço, amizade e as iniciais.
ATUALIZAÇÃO 01/10/18: Me esquecia do PPS, que virou lata velha. A expectativa corrente é que a legenda acabe adotada e reciclada por Luciano Huck, com parte do seu plano para chegar à Presidência da República. A Rede pode entrar no pacote.
 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments