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Mimados

Bolsonaro é coerente na incoerência e parte da sociedade aplaude. É compreensível. Conheço muita gente que usa acostamento em estrada congestionada, para sobre a faixa de pedestres, estaciona em vaga de deficiente e acha um absurdo as autoridades permitirem um desabrigado dormir nos raros bancos das raras praças ou sob as raras marquises brasileiras.

O espírito da criança mimada está entre nós. Pior face do individualismo. O suprassumo veio na entrevista do Bolso concedida à Jovem Pan no leito do hospital. Insatisfeito com o resultado da investigação da Polícia Federal, a qual pertence um de seus filhos, o convalescente diz que estão tentando abafar o caso do atentado.

Sobre pesquisas de intenção de voto, segue a mesma linha: saindo bem, comemora. Saindo mal, duvida. Eleito por vários mandatos consecutivos, usa o mesmo esquema para urnas eletrônicas: se ganhar, “táoquei”. Se perder, é fraude.

No Supremo, dá no mesmo. Gosta de dizer que foi citado no mensalão como o único membro do PP fora do rolo. Se esquece de acrescentar que o autor da declaração foi indicado por Lula e condenou a cúpula petista à cadeia.

Pior: promete, ao modelo bolivariano da Venezuela de Hugo Chavez, que tanto elogiou e pretendeu importar para o Brasil, aumentar o número de cadeiras da corte a ponto de controlar suas decisões.

A relação com o Poder Legislativo pode ser prevista pela performance do ex-capitão durante os últimos 28 anos. Dizer que foi medíocre, ou de acordo com a média, talvez seja exagerar para cima.

E também dá para prever como seria verificando as declarações dos seus subordinados.

O homem do agro, Frederico D’Ávila, sintetiza como seria a conversa entre o Executivo e o Legislativo:  “O próximo presidente da República terá um desafio enorme: lidar com a Câmara e o Senado. Saber como conversar, o que cada um pensa, quem é sério, quem dá para confiar, são características essenciais a partir de 2019. Um comandante que não sabe falar com seus comandados vai aprofundar a crise, agigantar cizânias e destruir o país.

Em caso de insubordinação, General Mourão tem a solução: mexe na Constituição sem perguntar nada a quem recebeu os votos da população. Dá-lhe Aerotanque.

E o mercado? Pelo menos tem o Pulo Guedes, o imPosto Ipiranga, para conversar. É o Henry Ford do liberalismo. Acha que todo mundo pode escolher a cor do próprio carro, desde que seja preto.

 

 

 
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