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O órgão excretor nas eleições

As eleicões de 2014 tinham oficialmente três meses, mas na prática foram mais curtas. Dois fatores subtraíram pelo menos três semanas da campanha: o acidente aéreo que matou Eduardo Campos e a declaração de Levy Fidélix sobre o órgão excretor de alguém.

Quatro anos depois, a dias do primeiro turno, podemos dizer que Levy e o cu continuam assombrando o espírito do tempo. E mais: podem vencer a disputa já neste domingo.

Como é feio falar cu, a turma diz que votará em Jair Bolsonaro para se vingar do PT, organização criminosa que destruiu a economia. Mas a verdade é que, igual aquela anedota sobre o corpo humano, onde o coração e o cérebro têm que se curvar ao poder do cu, nós brasileiros sucumbimos à supremacia anal.

Fosse verdade que o voto em Bolsonaro é contra a corrupção, o zelo de seus eleitores se estenderia sobre o uso de funcionária fantasma, sobre a acusação de sua ex-mulher ter furtado um cofre com 600 mil reais em joias, trinta mil dólares e duzentos mil reais em espécie.

“É troco perto do aparelhamento estatal e dos bilhões roubados pelo PT”, dirão uns, com razão; “litigância de má-fé é padrão em qualquer divórcio”, dirão outros, inclusive advogados, que também não podem ser acusados de apelarem para argumentos irracionais. Mas nada disso substitui o cerne da questão: há provas e indícios de que Bolsonaro seja proporcionalmente tão corrupto quanto qualquer liderança da “Orcrim”.

No plano econômico Bolsonaro e PT são irmãos gêmeos. O corporativismo, marcado pela defesa intransigente da manutenção e ampliação de privilégios para o funcionalismo público, está no DNA de ambos, assim como o estatismo: PT e Bolsonaro são aliados históricos na luta contra a desestatização ou redução do intervencionismo do Estado.

Aliás, não me lembro de qualquer declaração do Bolsonaro criticando a política econômica do PT. Esse tempo todo, enquanto milhões de pessoas perdiam o emprego, ele seguia focado no cu do Jean Willis.

“Ah, mas o Paulo Guedes corrigiu isso.” Falso. Já abastecendo no Posto Ipiranga, Bolsonaro votou contra o cadastro positivo e se omitiu na votação da pauta bomba de aumento de gastos. E ontem trocou definitivamente o Posto Ipiranga pelo BR. Em vídeo, afirmou que não privatizará Banco do Brasil, Caixa, Petrobrás e Eletrobrás.

Algum eleitor desapontado? Claro que não. Corrupção e economia nunca importaram. O Aerotanque de Levy segue firme na retaguarda do capitão, mirando no cu, garantindo alívio ao eleitorado, até mais confortável com o afastamento do PaGue e aquela conversa de liberar.

ATUALIZAÇÃO: um amigo bolsominion, indignado, disse inbox que eu não falei da insegurança que atinge níveis absurdos. Tem razão. É outro fator importante no discurso do capita. E até seu gesto de campanha são duas pistolinhas, feitas com os dedinhos. Uma graça. Proposta que é bom, zero. A não ser o “compra um fuzil e se vira”. No histórico parlamentar, de deputado pelo Rio de Janeiro desde 1991 e aliado do poderoso Eduardo Cunha do PMDB, partido que governou o estado entregando a situação atual, também não se encontra qualquer esforço para ajudar.

 
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