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Minha chapa e por que

Respeito o modelo brasileiro de jornalismo ou análise que não revela posição eleitoral. Mas prefiro o europeu ou americano, que sem abrir mão da imparcialidade, toma partido.

Minha escola política é a do meu tio-avô Franco Montoro e tem a democracia como princípio fundamental.

Montoro era parlamentarista, defendia voto distrital, promovia participação popular através de conselhos e, sempre que pôde, descentralizou as decisões de governo, abrindo mão de poder para oferecer o máximo de autonomia às cidades, que sabem mais e melhor das suas necessidades e soluções.

O conceito é simples: “Ninguém mora na União ou nos estados – as pessoas vivem nas cidades.” Isto é: tudo o que os estados puderem fazer, a União não deve fazer; tudo o que as cidades puderem fazer, os estados não devem fazer; tudo o que a sociedade puder fazer, a cidade não deve fazer.

Votarei em candidaturas alinhadas com estes ideais, consciente de que 100% de concordância é impossível. Considerando os melhores aspectos que enxergo em cada uma, apresento minha chapa.

Deputado Federal: João Paulo Papa 4522 PSDB – engenheiro e ex-prefeito de Santos (2005-2012 reeleito com 77% dos votos), referência nacional em saneamento básico. Conhece os problemas dos municípios, tem experiência parlamentar, sabe realizar mesmo sendo oposição. Trabalha por São Paulo e pelo Brasil, orientando os pares sobre como melhorar o saneamento básico em suas cidades.

Deputado Estadual: Ricardo Mellão 30100 NOVO – advogado jovem e aplicado, é liberal pra valer, não por conveniência. Filho do ex-deputado e articulista do Estadão João Mellão, tem o liberalismo no DNA e pode sacudir a Assembleia Legislativa, verdadeiro Triângulo das Bermudas do Poder Público. Na prefeitura, trabalhou nas regionais de Parelheiros e Cachoeirinha, conhecendo de perto as necessidades de quem mais precisa. Mais recentemente, trabalhou na desburocratização da máquina, revogando mais de quatro mil portarias e decretos obsoletos.

Senadora: Mara Gabrilli 457 PSDB – psicóloga e publicitária, foi a primeira secretária municipal da Pessoa com Deficiência, vereadora e deputada federal. Força da natureza, depois de vinte anos tetraplégica, reconquistou o movimento de uma das mãos, fruto de esforço pessoal e abnegado, muitas vezes servindo como cobaia para estudos científicos. Corajosa, enfrentou a quadrilha que operava no governo do prefeito Celso Daniel do PT em São Bernardo do Campo, que acabou torturado e assassinado. Tem um olhar amplo para os problemas sociais, mas com especial atenção para as pessoas com deficiência, que somam ¼ da população. Se para os mais favorecidos algum tipo de deficiência já é um transtorno, nos estratos desprotegidos a situação chega a ser medieval, e por isso é urgente. Relatou a Lei Brasileira de Inclusão, que lhe rendeu uma vaga no comitê da ONU sobre o tema.

Senador: Eduardo Suplicy 131 PT – economista e referência internacional na defesa da Renda Básica Universal, que já lhe custou muita chacota, mas que hoje é pactuada entre liberais e socialistas, do Fórum Econômico Mundial de Davos ao Fórum Social de Porto Alegre. Convenhamos que neste mundo polarizado não é pouca coisa. A conta é simples: com as novas tecnologias trabalharemos menos e viveremos mais; a concentração de renda no mundo ameaça as democracias e a própria civilização; o modelo de produção chinês ou americano, expandido para sete bilhões de pessoas, explodiria o planeta. Suplicy estava certo e merece reconhecimento. “A Cesar o que é de Cesar.” Será meu primeiro voto no PT e fico tranquilo em saber que ele é honrado. Entre os planos de governo dos presidenciáveis, só os de Marina Silva, por sugestão do vice Eduardo Jorge, e Jair Bolsonaro, por influência de Paulo Guedes, citam a Renda Básica.

Governador: Márcio França 40 PSB – advogado e político com orgulho de dizer que é político. Foi vereador, deputado e prefeito de São Vicente, reeleito com 92% dos votos. É o atual governador de São Paulo e representa continuidade sem continuísmo, construção sem destruição. Tem realizações em segurança, educação e turismo. E para mim sua característica fundamental é a vocação para o diálogo franco: é o mesmo jantando, despachando, no centro do Roda Viva ou nos debates. Sabe escutar, fala o que pensa e cumpre a palavra – algo básico porém raro hoje em dia.

Presidente: Ciro Gomes 12 PDT – advogado e professor, é a terceira via possível. Foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará com recordes nacionais de aprovação popular. Ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, consolidou o Plano Real. Na Integração Nacional sob Lula, tirou do papel a transposição do rio São Francisco, planejada por Dom Pedro II e retomada entre Itamar e FHC. Conhece o Brasil e causa surpresa quando fala, não quando faz, o que é um fator de estabilidade. Tem a melhor ideia de urgência para a economia, o chamado SPCiro, programa extensivo à iniciativa privada que, por sinal, já adota prática semelhante. Sua proposta nasceu entre acadêmicos e com participação deles foi estruturada.

(Gostaria muito de votar no Eduardo Jorge, meu político predileto em atividade, mas infelizmente a Rede não resistiu à campanha.)

 
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