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Apatia e vergonha eleitoral

Em dezembro de 2017 a apatia eleitoral me preocupava e publiquei uma nota com estudo a respeito.

Era véspera do segundo turno na eleição chilena e, na primeira rodada, 46% dos eleitores não votaram. Em números absolutos, 6,6 milhões dos 14 milhões de habilitados. No 17 de dezembro, tendo que escolher entre dois rivais, a expectativa era de maior participação, que se confirmou, mas timidamente: sete milhões votaram.

As últimas eleições no Brasil mostraram crescimento da apatia, como nas eleições suplementares do Amazonas e Tocantins, quando 24% e 51% não compareceram às urnas, respectivamente.

E mesmo nas eleições municipais de 2016 o não-voto se destacou. Em São Paulo, maior cidade do país, o prefeito eleito teve onze mil votos a menos do que a soma de brancos, nulos e abstenções.

Como será no domingo é difícil prever. A última pesquisa Datafolha (TSE|BR-02581/2018) mostra que o índice de brancos, nulos ou nenhum despencou de 22% para 4% desde o começo de setembro. Os que não sabem somam também 4%. E a abstenção oscila para cima desde 2002 (17%), tendo alcançado 19% em 2014.

A chance de não haver segundo turno é alta. Jair Bolsonaro manteve o crescimento, chegando a 39% dos votos válidos, e o chamado voto duro, aquele que não vira de jeito nenhum: 86%.

O chamado voto envergonhado, gente que votará no ex-capitão mas tem pudor em admitir, é um fator de incerteza.

A mesma pesquisa trouxe um dado que vem sendo celebrado: 69% dos brasileiros afirmam preferir a democracia, índice mais alto desde 1989, data da primeira aferição do Datafolha, contra 12% que preferem a ditadura e 13% que dizem “tanto faz”.

Entendo quem olha o copo meio cheio, notadamente num período em que o candidato que lidera as pesquisas nega que houve ditadura militar no Brasil e defende a tortura. Mas para mim é alarmante que um em cada quatro brasileiros pensem assim. Entre estes, os seguidores de Bolsonaro se destacam: 22% dos que declaram votar no militar dizem preferir a ditadura.

Também entendo quem vota contra o PT sob qualquer circunstância. Lula e sua gangue fizeram por merecer e têm parte da responsabilidade na ascensão da direita reacionária. O que me assusta, e muito, é notar a falta de argumentos propositivos entre os eleitores do Bolsonaro, o que me leva a crer que sejam motivos inconfessáveis.

 
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