Facebook YouTube Contato

A milícia do WhatsApp – como Cidadão Kane virou gremlin

A máfia mais conhecida do mundo nasceu no sul da itália, na época medieval, como um movimento de revolta de agricultores contra os esquemas criminosos dos poderosos senhores feudais.

Tiveram êxito. Muita gente aderiu como pôde. Doações em dinheiro, armas, apoio moral, grupos de WhatsApp. Não, calma. Isso é mais recente.

Voltando à origem da Máfia, quando os grupos ficaram fortes e conseguiram debelar as ameaças do poderio feudal, toda a gente quis voltar ao seu dia-a-dia, tocar a vida.

Ocorre que, dentro dos grupos, alguns membros, percebendo o poder conquistado e jamais imaginado, não quiseram largar o osso. E de resistência passaram a algozes, cobrando pela proteção contra os ataques que eles mesmos empreendiam.

As eleições de 2018 serão marcadas pela proliferação de grupos de WhatsApp. O conteúdo disseminado, feito para parecer amador, na verdade é sofisticadíssimo. A tecnologia usada é uma verdadeira máquina de guerra, usa computadores para multiplicar as contas. Há tempos não é algo que nasce espontaneamente.

Também vale lembrar que a novidade não está no conteúdo. Assim como as armas de fogo, este continua sendo basicamente pólvora e chumbo. No caso da propaganda de guerra, boataria pensada para apavorar e dirigir o entendimento social. A novidade é a sofisticação das armas, ora capazes de disparar milhões de tiros por segundo e com fina pontaria.

Se no Brasil ainda soa como novidade, vale lembrar que nos Estados Unidos o uso de gigantescos bancos de dados para influenciar a sociedade elegeram o inquilino atual da Casa Branca. Cá, como lá, parece ser caso perdido. O TSE não fala nem tem coragem para falar.

A pergunta que fica é: o que será desses grupos depois das eleições? Com parte da sociedade dando mais credibilidade ao WhatsApp do que ao jornalismo e dados oficiais, alguém imagina que seus controladores largarão o osso?

A história ensina que não. Indica que 2019 teremos milhares de Assis Chateaubriands procurando o que fazer de seus “impérios” de comunicação. Anos depois de banida a ameaça de um novo Cidadão Kane, este virou gremlin. Com um agravante: o WhatsApp não tem sede no Brasil, dificultando a investigação e responsabilização de milícias que usam a plataforma para destruir reputações de Pessoas Físicas ou Jurídicas.

Imagina um caso como o da Escola Base, do hambúrguer de minhoca, ou ainda a volta das campanhas de saques que quebravam bancos nos anos 1980 potencializadas pelos recursos atuais. Ninguém está seguro.

Se você é pessoa física, assine um jornal tradicional ou minimamente inscreva-se num serviço de clipping grátis como o Canal Meio. Se você é Pessoa Jurídica, anuncie. Uma imprensa saudável, crítica e com fôlego investigativo é vital para a democracia.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments