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A vergonha é fundamental

Tenho palpite, mas é difícil definir como chegamos a tal ponto.

Assisti esses dias a um documentário sobre a independência da Catalunha onde gente moderada chorava ao comentar como a sociedade espanhola degringolou por conta de políticos demagogos, irresponsáveis, autoritários e seus seguidores. Está no Netflix.

Hoje, com o vídeo em que João Doria é apontado como protagonista, também senti vontade de chorar. Não é algo propriamente novo na lama eleitoreira – até muto pelo contrário. Mas a proporção e a velocidade do boato são assustadoras. Literalmente, ganhou o mundo em horas. Considerando que há famílias envolvidas – a dele e a das moças em cartaz, é de amargar.

Então veio o debate UOL/Folha/SBT. João Doria e Márcio França, que já tinham ultrapassado os limites do embate saudável (muito por culpa do João, que se revelou um tarado político nesta eleição, diga-se), surgiram em clima ameno.

Horas antes, Doria acusava França de ter falsificado o vídeo para prejudica-lo, algo tão grave e baixo quanto se a acusação fosse embasada. Só que não é. E debater serenamente com alguém que momentos antes você acusou de tal torpeza, é um traço de psicopatia.

No plano nacional, Fernando Haddad pega carona na afirmação de um músico e acusa general Mourão de ter praticado tortura no regime militar. Sequer fez as contas para verificar a idade que o militar teria à época. Logo ele, que foi acusado de ter incentivado a pedofilia por um YouTuber pernóstico e mentiroso.

O nível é inimaginável. Não se trata de divergência ideológica ou sequer de caneladas, mas de tortura e pedofilia.

(Vá lá que Mourão integrou e defende uma ditadura que torturou e matou. Já é inaceitável. Mas daí a ter torturado com as próprias mãos vai uma distância enorme.)

Ainda no plano nacional, Jair Bolsonaro, esfaqueado em campanha e com larga vantagem nas pesquisas, mostra não alcançar a dimensão que sua vida pode tomar oficialmente neste domingo. Do quintal de casa fez discurso fascista para uma vexatória multidão reunida para apoia-lo na Av. Paulista, prometendo banir ou exilar divergentes e botar a polícia para fazer valer a lei no lombo dos mesmos.

As consequências são naturais. De algum porão surge cheio de marra um coronel da reserva do Exército ameaçando de golpe e acusando de corrupta a ministra do STF e presidente do TSE Rosa Weber.

O nome do coronel de pijamas é Carlos Alves de Lima Filho. Imagine, freguesa,  que o Duque de Caxias, patrono do Exército, chamava-se Luís Alves de Lima e Silva, e tinha apelido de O Pacificador.

Desejo? Que a gente volte a ter vergonha do que os velhos vão achar do que fazemos, e se não pudermos entregar o país a eles, que pelos menos voltemos a seguir os exemplos. Meia-dúzia? Fernanda Montenegro, Paulo Mendes da Rocha, Dráuzio Varella, Marcos Azambuja, Fernando Penteado Cardoso, José Arthur Gianotti. Aceito sugestões.

 
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2 Comments  comments 

2 Respostas

  1. Evo Moralez

    Por que nunca dá pra ler a última linha do seu texto? E por que os botões de compartilhar estão com as imagens quebradas?