Facebook YouTube Contato

Conservador ou progressista? O legado da gestão de Olavo Setúbal

Crônica publicada no projeto Esquina Encontros Sobre Cidades do Estadão

Numa enquete entre amigos, o paulistano que perguntar qual foi o prefeito que criou as ruas de lazer, os calçadões do Centro, a secretaria da Cultura, promoveu bicicletas e passeios a pé, museus de rua, futebol nas praças, abriu os primeiros corredores de ônibus e entregou o Parque do Carmo, primeiro da Zona Leste, muito provavelmente a resposta será Fernando Haddad.

Porém a resposta certa é Olavo Setúbal. Indicado pela ARENA, foi eleito em 1975 por unanimidade, isto é, com todos os votos da oposição, então representada pelo MDB. Seu secretário de Esporte e Turismo, responsável por grande parte das gestões listadas no primeiro parágrafo, era Caio Pompeu de Toledo, que anos depois, no começo da redemocratização, ocupou o mesmo posto no gabinete do governador Franco Montoro e concorreu a vice-prefeito na chapa de Fernando Henrique Cardoso em 1985, ambos do MDB.

Note: banqueiro, empresário e conservador, Olavo Setúbal adotou uma agenda que hoje, no Brasil, é tida como progressista. Num paralelo entre o cenário político atual e o daquela época, em que vigorava o bipartidarismo, poderíamos dizer que o prefeito que tinha sobrenome de cidade portuguesa antecipou o que hoje os portugueses chamam carinhosamente de “geringonça”, um governo exitoso composto por forças políticas ideologicamente antagônicas.

O bacana é ver que o banco Itaú, controlado pela família Setúbal, continua o legado do doutor Olavo investindo em políticas públicas que ele inaugurou quando prefeito, sendo o apoio à mobilidade ativa pelo Bike Itaú o mais evidente.

No dia 24 de setembro o Esquina e o Itaú formalizaram uma parceria para o lançamento do canal do Esquina no YouTube, num encontro especial sobre bicicletas no auditório do Itaú Cultural na Avenida Paulista, com representantes da POLI-USP, da Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito e do próprio banco Itaú. O vídeo está no ar e merece o seu passeio.

Ao final, com o microfone aberto para a plateia fazer perguntas – que nunca faz, sempre são comentários – aproveitei para palpitar sobre bicicletas na cidade de São Paulo. Foram três sugestões:

1)   A ciclovia da Faria Lima está saturada, diariamente congestionada ao fim da tarde. Algum tipo de duplicação, pontual ou estrutural, deve ser pensada;

2)   O Jardim Paulista merece uma ciclo-faixa na Alameda Lorena. E como não há opção transversal de transporte coletivo entre a Paulista e a Faria Lima, alguma alternativa precisa ser pensada.

3)   Aos domingos o Parque do Ibirapuera transborda. Fica ainda mais bonito. Mas falta espaço e os acidentes com bicicletas são corriqueiros. Transformar a faixa lindeira das avenidas do entorno em rua de lazer aos domingos, proporcionando mais espaço para o pedal, seria ótimo.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments