Facebook YouTube Contato

17 universidades invadidas e a memória do “sutiã de náilon”

17 universidades foram invadidas por policiais e fiscais eleitorais por suposta propaganda eleitoral. Porém, entre o material apreendido, não consta menção a qualquer candidatura.

Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro policiais militares retiraram uma placa que homenageava a vereadora Mariele Franco, assassinada em março, e uma faixa que dizia “Direito UERJ Antifascismo”. Algo óbvio para uma faculdade de Direito. Se a mensagem acaba associada a um candidato, talvez seja porque ele merece.

A justificativa dos TREs é que prédio público não pode servir à campanha eleitoral. Ta ok. Mas não havia propaganda eleitoral. E não consta cumprimento de medida judicial contra o comando do BOPE por ter cedido o quartel, que é prédio público, para candidato Jair Bolsonaro fazer campanha. Quem tem peito para enquadrar os caveiras?

Há 41 anos o coronel Erasmo Dias invadia a PUC-SP. Foi uma selvageria e amparada por grupos paramilitares, que chegaram a bater até em gente de saia – incluindo meninas e padres. Quase 900 alunos presos na ROTA. Algumas alunas acabaram queimadas. Sobre os ferimentos, diria o coronel: mulher tem a perna presa, não consegue correr; queimaram porque usavam sutiã de náilon.

O governador Paulo Egydio Martins assumiu a responsabilidade pelo ato. Gesto de grandeza. Em depoimento, explicou que havia um decreto da ditadura militar proibindo reunião estudantil. Quando descobriram a reunião na PUC, autorizou a PM cercar o prédio porém com ordens expressas: “Vamos respeitar o campus da PUC.” Então os alunos seguiram para o TUCA. O governador manteve a ordem: “O teatro é da PUC, não intervenham.”

Só quando a manifestação foi para a rua e consta que atiravam pedras contra a polícia. Então o governador autorizou que impedissem a baderna. Na rua. Porém com a confusão armada os alunos correram para dentro da universidade e a PM e os grupos  paramilitares acabaram invadindo o prédio.

Trago a história para mostrar que o problema de ter um candidato praticamente eleito presidente da República dizendo as coisas que diz, incentiva atos de violência das autoridades rasas e de grupos civis que passam a agir como milícias. A ação desmedida nas 17 universidades, as ameaças a jornalistas e cientistas, a perseguição virtual a opositores são só um aperitivo do que está por vir.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments