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“Lula está preso, babaca”, ou o encontro de Janaína, Cid e Mano

Cid Gomes e Mano Brown não mandaram recados ao PT, mas a todos os partidos, a todos nós.

Ao PT ambos falaram diretamente, diante de claques, pelegos ou apoiadores incondicionais que se recusam terminantemente à reflexão. Porém é um erro festejar como um banho de água fria para despertar só o petismo. Todos nós deveríamos lavar o rosto e ter coragem de encarar o espelho.

As duas falas que marcaram a reta final das eleições têm um paralelo com a largada da corrida. Janaína Paschoal, deputada mais votada na história do país, foi cotada para vice de Bolsonaro, mas recusou.

Conheceu o candidato no dia da convenção do PSL e, de pronto, enfiou críticas duras goela abaixo da torcida bolsonarista, comparando seus seguidores aos radicais do outro lado. Como Cid e Mano, a professora foi vaiada.

Mano Brown, em comício no Rio, bateu com o coração. E bateu firme. Ele não acredita que pessoas da sua convivência tenham se tornado fascistas. Reconhece que o apoio a um maluco é antes a revolta popular contra todos os erros que o PT teima em não admitir, à desconexão do partido com suas raízes.

Cid Gomes falou com a cabeça. Difícil não enxergar cálculo político em sua mensagem. Mas o teor é o mesmo. Sem autocrítica, no escuro da caverna, um partido, um indivíduo ou a coletividade acabam mofando. A luz machuca os olhos, mas a visão sem ela é impossível.

“Lula está preso, babaca”, é a minha candidata à frase definitiva das eleições 2018. Porque serve para todo mundo.

Aos 40% que aprovam Lula, “Lula está preso, babaca”, serve para entender que já era, o homem está condenado a doze anos e pelo processo menos denso, que é o tríplex. Perto de Atibaia, o Guarujá é uma multa de trânsito.

Aos 60% que o rejeitam, “Lula está preso, babaca”, serve para lembrar que a Justiça está trabalhando. Que nunca antes na história deste país um ex-presidente da República foi preso em regime democrático.

Aos 48% que pretendem votar em Bolsonaro, “Lula está preso, babaca”, serve para lembrar que o papel de punir quem deve é do Judiciário e está funcionando, não do Executivo ou do presidente da República, como sugere o ex-capitão contra o lombo de seus opositores, em evidente delírio fascista.

Aos 38% que pretendem votar em Haddad, “Lula está preso, babaca”, serve para lembrar que, se eleito, ele terá que governar sem Lula, e que se repetir uma escassa visita ao padrinho em Curitiba, seu governo se desmoraliza.

A bem da verdade, sobre autocrítica cabem aplausos e vaias para encerrar: as Forças Armadas fizeram autocrítica sobre a ditadura militar. Bolsonaro, não. O PT não fez autocrítica sobre corrupção e erros que causaram a depressão econômica. Haddad, sim.

Boa votação a todos.

 
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2 Comments  comments 

2 Respostas

  1. Gilvan Baqueiro

    Léo, como sempre, texto bem escrito e com muita lucidez. Parabéns, com orgulho de ser seu amigo. Abraço

    • Léo Coutinho

      Muito obrigado, Gilvan caríssimo. Hoje lá na escola tem colóquio bom sobre os efeitos da reforma protestante. Vamos lá!