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Descer o sarrafo ou descer o sarrafo

Eleito presidente, Jair Bolsonaro tem dois caminhos a seguir: descer o sarrafo ou descer o sarrafo.

A primeira opção seria no sentido de baixar as expectativas criadas por falas inflamadas e deixar claro o que pretende. Porém, como o eleitor votou no escuro, sem ter a menor ideia de como pensa o ex-capitão ou, no máximo, apostando que ele não fará as coisas que diz, desde meta para o câmbio até elogio à tortura, a estratégia do presidente eleito para manter a popularidade deve ser continuar assim, escondido no porão, enviando sinais trocados, dizendo e desdizendo.

Obviamente é um cenário ruim. O país está machucado e precisa encarar suas feridas. Ter clareza sobre como serão tratadas. Vai arder, não tem jeito. Mas a alternativa é o alastramento da infecção.

Protegido pela convalescência desde o atentado a faca de seis de setembro, Bolsonaro foi poupado de debates e entrevistas. Sorte dele, azar nosso.

Ao arrepio da lei, sequer contas eleitorais prestou desde então. Não sabemos como e quem pagou por sua campanha.

A segunda opção é descer o sarrafo no sentido de baixar o cacete em quem dele duvida ou discorda.

Nesse sentido, começou bem. Contra a imprensa, que tem o dever de duvidar, sua assessoria se limitou a enviar uma mensagem contestando as pesquisas e chamando de “lixo” o trabalho jornalístico. Invés de entrevista coletiva, o eleito preferiu falar o que quis em uma rede social.

Paulo Guedes, seu assessor e fiador econômico, destratou a correspondente do jornal argentino Clarín, que fazia perguntas sobre a perspectiva de relação do futuro governo com o Mercosul. Guedes é conhecido por se exaltar quando contrariado. E já rebaixado de superministro a subordinado de Onyx Lorenzoni, se mostra ainda mais indócil.

Perto de 58 milhões de brasileiros escolheram votar em Bolsonaro e quase noventa milhões votaram em Fernando Haddad, se abstiveram ou optaram por votar em branco ou nulo.

Como até hoje todos os que não votaram em Bolsonaro foram carimbados de “vermelhos”, e Bolsonaro fala em “varrer do mapa os bandidos vermelhos”, resta saber se haverá vassoura para noventa milhões de pessoas ou, se no lugar do pelo ou da piaçava, vão largar surra de cabo.

 
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