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Moro deu a Lula o indulto narrativo

A suspeita de que Lula queria mesmo Bolsonaro vai se confirmando. Começou com Haddad aceitando o papel ridículo de bater ponto em Curitiba e seguiu quando topou a fraude de ser vice de alguém sabidamente impedido de encabeçar a chapa. Aumentou com o próprio Haddad falando em obter vitória política, não eleitoral. E se agravou com a fala de largada, prometendo tirar Lula da cadeia – tão forte que, ao desdizer mais tarde, afirmando que a ideia era absolvição nas cortes superiores, obviamente não colou.

O que se deu foi a primeira vitória que Lula precisava. Fez a maior bancada da Câmara e com gente experimentada em obstruir a pauta legislativa, que vai combater o time dos youtubers café-com-leite formados na escolinha do professor Jair. Fez o maior número de governadores. E a ambos os times podemos somar deputados e governadores eleitos dizendo-se “candidatos do Lula”.

De quebra, fez o centro virar poeira e livrou seu PT de pegar um governo à beira da inviabilidade. Se a gestão do presidente eleito Bolsonaro der certo, será com medidas pra lá de amargas, quase uma quimioterapia, que para matar a doença, mata um pouco o paciente.

Em política a história prova que qualquer resultado é ruim para o médico: se o paciente morre, ele é culpado; se sobrevive, o doutor não fez mais que a obrigação e o novo ídolo passa a ser o dono do circo que chega para aproveitar a bonança.

Juridicamente, hoje o cenário ficou ainda mais favorável a Lula. Seu algoz Sérgio Moro aceitou ser o super-herói do superministério-liga da Justiça (sensacional Sensacionalista).

Para além de aceitar Bolsonaro como chefe, que discursou prometendo fazer Lula “apodrecer na cadeia” e “fuzilar a petralhada”, propostas que podem agradar a muita gente, mas não têm nada a ver com Justiça, no primeiro de janeiro veremos fotos de Moro no coquetel de posse brindando colegas desabonadores.

Pauderney Avelino e Alberto Fraga, ambos condenados em primeira instância, estarão lá. Onix Lorenzoni, que confessou ter recebido caixa-dois da JBS, posará a seu lado na foto oficial da primeira Esplanada, bem como Paulo Guedes, investigado criminalmente pelo MPF por gestão fraudulenta, e ainda o astronauta Marcos Pontes, que se livrou de investigação do Ministério Público Militar por suspeita de faturar com palestras e propaganda de travesseiros enquanto oficial da ativa da Aeronáutica porque STF deixou caducar.

Quando o PT chamou de golpe a deposição de Dilma Rousseff, pouca gente além da pelegada comprou a narrativa. Mas depois, com a absolvição da chapa no TSE “com excesso de provas”, o Congresso perdoando Michel Temer por duas vezes ao custo de dezenas de bilhões de reais, e o vazio das ruas, a charla petista ganhou consistência a ponto de Temer ser obrigado a estabelecer linha de corte para composição do ministério: afastamento provisório em caso de denúncia e definitivo se o auxiliar virasse réu.

Quem diria que, um ano e meio depois, os messias que prometeram salvar a pátria da corrupção estariam juntos em um governo assim.

Lula, o ex-paladino da ética, só tem a comemorar e agradecer a seus antagonistas. Como indulto legal era impossível, ganhou o indulto narrativo. E vai sapatear no depoimento deste 14 de dezembro. Se Moro estiver lá, tanto melhor para Lula.

 
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