Facebook YouTube Contato

Uber crédito na praça – TUEL – rp | consultoria política | construção de narrativa

No chamado “mercado” rola a construção de uma narrativa boa. O “mercado” seríamos todos nós, financistas, rentistas, empresários, consumidores, adimplentes, inadimplentes enfim, toda a gente.

O mercado imobiliário constrói a narrativa dizendo que dele participam todos que de alguma maneira moram. Você que paga aluguel ou o carnê da casa própria, é parte do mercado tanto quanto quem recebe aluguel, tem casa própria, constrói, incorpora, empreende, especula ou tudo junto e misturado.

O mercado financeiro investe na mesma linha. Cliente ou dono de banco, criança que faz poupança no porquinho ou investidor de Wall Street, tanto faz, mercado são.

A narrativa é boa porque tem lógica, base para qualquer argumento que pretenda parar de pé. Se não para é porque o desiquilíbrio de forças pesa mais. Muito mais.

Com política acontece a mesma coisa. Em teoria, todo cidadão é político. Mas não adianta falar. Porque na prática, o poder segue concentrado em um pequeno grupo, reconhecido como “classe política”.

A internet vem mudando as coisas no mundo inteiro. Primavera Árabe, levantes de 2013 no Brasil, Trump, Brexit, Bolsonaro provavelmente não teriam acontecido sem o poder pulverizado das redes sociais.

Se as andorinhas em bando estão fazendo verão ou inverno é outra discussão.

No mercado imobiliário as mudanças já podem ser vistas. Aplicativos de locação direta afetam a prática tradicional, com efeitos no turismo e na vida de quem mora de aluguel. Iniciativas para promover locação social também. Não seria imprudente um palpite de que os coletivos podem chegar à incorporação e construção.

No mercado financeiro brasileiro, com 80% do crédito concentrado em cinco bancos, o desiquilíbrio é atroz. Mas as fintechs avançam e o Banco Central está ajudando. Pelo caderno Link do Estadão, a repórter Luiza Dalmazo nos conta como e por que.

Um empresário de painéis solares que fatura R$ 1 milhão e tem duzentos clientes em oito estados tentou levantar um empréstimo nos bancões e foi ignorado. Sorte dele, que procurou uma fintech e conseguiu R$ 95 mil a juros entre 24% e 48% ao ano – bem abaixo dos 70% a 300% cobrados pelo grande mercado. “Não à toa, diz o Sebrae, atualmente menos de 8% das micro e pequenas empresas do país têm acesso a crédito”, nos conta Luiza.

A parte do Banco Central foi simplesmente ceder. Se em 2010 chegou a acionar a Polícia Federal para fechar uma startup que apostou na desobediência civil, em abril de 2018 publicou uma resolução que permite a realização de empréstimo sem intermediação bancária. Cinco empresas aguardam aprovação, três como Sociedade de Crédito Direto e duas como Sociedade de Empréstimos entre Pessoas.

O retorno para quem investe em emprestar diretamente para outra pessoa parece bom. Uma fintech ouvida pela repórter oferece 18% ao ano já descontada a inadimplência, taxa 170% acima do que paga o CDI, referencia de aplicação em renda fixa. E pode-se dizer que a burocracia é menor na proporção inversa.

Nesse caminho, o melhor horizonte é o que já venho apostando há algum tempo (escrevi aqui): o “uber” crédito. Pessoas emprestando diretamente a outras pessoas e com análise de risco igual a do app de carona. Furou, dançou.

Os gaviões Serasa e Febraban vão ter que suar para acompanhar as andorinhas.

Ainda: Paulo Guedes, em teoria, vai adorar.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>